c.e.m

Pessoas do c.e.m

Coline Gras

Comecei dançar nas classes que mesclavam a dança contemporânea e o ballet. Continuei as danças ao longo dos anos nas classes de Sylvie Ré onde fazíamos muita improvisação, nas classes de flamenco de Maria Pérez e nas classes de salsa com Sébastien Boyer em Marselha.
Na época do lycee, a bailarina Kinga Samborska e sua companhia Artmacadam proposto na banda de amigos que dançávamos juntos de começar um trabalho mais denso. Durante 3 anos, fizemos improvisação na rua e a frente dos teatros com o assunto da espera, foi uma experiência intensa e amorosa.
Tenho uma lembrança da infância e adolescência tão cheias de querer fazer tudo que estava a aparecer e rugir em todas as campainhas do desejo alegre-triste o seja tanto nas “actividades” como nas amizades que iam se tecendo-atravessando uns entre as outras que é difícil encontrar um foco desenhando um “caminho” mas vou contando as continuidades que até o dia de hoje foram caminhando num desejo de afinação sem limites.
Então é preciso dizer que o contacto com os cavalos que foi descobrindo desde os meus 5 anos tanto em classes de equitação clássica como moço de quadra o em caminhadas largas no campo e nas montañas. Estou agora acompanhada dum cavalo español, Saldek e comecei propor laboratórios de experimentação do movimento com os cavalos em vários sítios (Todos a Galope, Granja Escola Equina, Refuge de la Carança). Mathieu Dewavrin foi muito importante na porta que ele abriu ao universo dos cavalos. Agora trabalho com a Pilu Sala e o que ela chama “pie a tierra”, praticá em etologia y biomecânica equina.
Depois de uma “classe préparatoire” em filosofia, literatura y ciencia, fiz um año de licença de arte na Sorbonne em Paris e acabei em Lille no master de dança e práticas performativas. Nesta época, trabalhava ao lado em restaurantes o em companhias artísticas das mais diversas (Zingaro, Théâtre Antonin Artaud, Cirque du Bout du Monde, Compagnie du Grand Soir, Théâtre des Salins, colectivo ECHOS…).
Em 2016, entro na companhia de dança La Malagua dirigida por Scheherazade Zambrano Orozco y Alejandro Pablo Russo ao mesmo tempo que ela nasceu e foi membro como interpreta (État Existant, Gôche, Corps-Gone), investigadora y orientadora até 2019. Acontecia laboratórios de experimentação coreográfica, jam’s nos quais trabalhei com a fantástica Marjorie Van Halteren e François Jakubowski aos paisagens sonoros em co-acontecimentos dos corpos dançando, performances, exposições e experimentações na rua, nas casas… é também neste momento que treinei as meninas nos seus percursos de natação sincronizada durante 3 anos.
Continuei sempre estudar o corpo e o movimento sozinha o com, entre outros, o trabalho de Patrícia Kuypers e Franck Beaubois, Meytal Blanaru, Christine Quoiraud, Marian del Valle, Beatriz Navarro.
Em 2017, ao mesmo tempo que alarguei de um ano o meu master de dança para poder continuar minhas pesquisas em partituras da caminha quotidiana, descobri o c.e.m centro em movimento em Lisboa e foi fazer a F.I.A. Formação Intensiva Acompanhada. Durante 3 meses desta temporada trabalhei também em Óbidos na adaptação em dança-paisagem do conto musical “a Fada da Musica” do Fernando dos Santos.
Para o Pedras 2017 do c.e.m., criamos e dançamos Gestos pousados na cidade com Carolina de Azevedo y Otto, seu filho.
Apresentei na Universidade de Lille a minha escrita e investigação em movimento e fala das caminhadas na rua chamada “Déplacer la démarche”, trabalho que foi acompanhado por Marie Glon, Sofia Neuparth e Philippe Guisgand.
Desde anos atrás e até hoje, tenho também uma colaboração longa, entre dança, escrita, caminhada e fala, com Marie Pons num projeto que chamamos Como se manter vivo? que é uma prática a mais que dois e um duo que foram viajando entre o Portugal, a França e a España, entre universidades, estruturas artísticas e campos.
Os meus 7 anos de trabalho como guardiana en el refugio de la Carança nos Pirineus Orientais viram nascer desde 2 anos Dépaysager, projeto de residência artística na montaña a volta da experimentação em movimento e da co-existência. Aconteceu também em Nau Côclea e foi caminhando com Marie Pons, Martin Ortiz, Alex Campos, Pilu Sala, Bernardo Bêthonico, Maximilien Missiaen, Ludmila Lebrun, Camille Caparros, Christian e Clara Garí.
Em 2018, voltei em Lisboa para a temporada de demora do c.e.m. naquela trabalhei dois meses e meio na estação de comboio de Rossio. Deste lugar nasci um solo, les soirs d’été, entre outros solos que estavam gargalhando (le pin dans le cimetière de l’est, danza para os potes de Hector Zamora, coin, fenêtre et porosité) e cujo as práticas e o amor de Sofia Neuparth, Margarida Agostinho, Jean-Marc Duclos, das pessoas do c.e.m e da Bonnie Bainbridge Cohen (não presencialmente) foram essenciais. Les soirs d’été viajou entre o Portugal, a Francia e a España em teatro, em casas e fora.
Desde então sigo caminhando investigadora, co-corpo, orientadora do c.e.m. centro em movimento.
Ultimamente, trabalhei em períodos mas o menos largas durante dois anos no jovem centro de arte Raíces Nómadas em Extremadura como bailarina, coreógrafa, produtora y experimentadora do corpo-movimento e da sua meteorologia ao lado de Alex Campos.