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Pedras

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2022 | O 1º Festival SonHoro

EP1 | desta vez lavando a roupa pelos cantos de Lisboa, obrigada c.e.m – centro em movimento por fazeres acontecer o Pedras-Práticas com pessoas e Lugares há 17 anos, obrigada BZ 5 Records pelo olhar atento e dedicado cada temporada:
Lavar a roupa pelas ruas de Lisboa…como a pedra da sopa da pedra, lavar e estender roupa vai agregando encontros e conversas com gente criança e gente mais idosa e quem mais atravesse e se deixe atravessar por esta prática do Pedras 22- O 1º º Festival SonHoro.
Esta temporada traz-nos a urgência do Sonho, um desejo imenso de deixar aparecer uma Lisboa possível, onde os afectos, o sabor dos lugares, o tempo alargado de caminhar e poisar, possam fazer-se presentes e ensinar-nos que criar cidade é criar corpo e é criar vida, é criar mundos onde se possa existir. Demorar por entre as esquinas, os cantos, serpentear pelas ruas, vibrar, brincar, estarcom as pessoas e os lugares ouvindo-as em si mesmas! O direito ao Sonho. Acolher o sono, o descanso, a desacelaração da rotina quotidiana. Escutar o campo na cidade, escutar a liquidez do que nos parece sólido, cantar debaixo de um arco, lavar roupa e vê-la secar, estar com novos e velhos e alegres e tristes, rodopiar na calçada, ler, conversar, rir…estar com a Dança e a Música e a Poesia por entre o escorrer do quotidiano…Lisboa entre Monsanto e a Ajuda, a Mouraria e a Calçada de Santana, entre a Bica e os Anjos ou a Graça ou Alfama…a viagem aos surpreendentes subúrbios…Lisboa sonhadora ajunta-se para nos abraçar.

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O Pedras- Práticas com Pessoas e Lugares, é o exercício da especificidade da Investigação, Criação e Formação do c.e.m na relação com cada umaum, com espaços de ajuntamento (informais ou institucionais) e com a contínua geração de cidade. A deslocação da “casa do c.e.m” desde os bombeiros da Praça da Alegria para a R. Fanqueiros, provocada pela derrocada de parte das instalações, adensou essas práticas, anteriormente realizadas pontualmente. Habitar o coração de Lisboa acentuou o desejo de exercitar a escuta da cidade enquanto acção e, enquanto implementávamos actividades como “reverdejar a cidade” que consistiam em migrar entre casas ou estabelecimentos comercias transportando plantas e outros verdejamentos semeados e nutridos em cada lugar fomos praticando caminhadas e poisios (a que chamámos rotas) que nos iam alinhando com outras formas de cidade que co-existem com o que conhecemos enquanto “cidade”. Muitas vezes as nossas práticas foram alinhadas com as “derivas” dos Situacionistas no entanto o que sempre nos norteou parece diverso: Estar para nada! Não ter à partida um objectivo que não o estar em cada “ali”. Em 2007 tivemos o financiamento da CML para produzir “Memória-Relva no Camões” cobrindo de relva a praça e, sem assinar a acção e exigindo que esta não tivesse o cunho presente dos financiadores, devolvemos a Lisboa um espaço de Estarcom que rapidamente foi apropriado por cada pessoa que lá se demorava durante o dia com as famílias e quem mais se ajuntasse como se sempre o Largo tivesse sido um jardim “sem dono”. Desde a manhã de 25 de Abril e até à noite de 1 de Maio os bombeiros tomaram para si a vontade de regar e tratar o espaço trazendo os filhos e os netos, os “bêbados” do Bairro Alto implicaram-se em limpar cada manhã as garrafas dispersas e o dia escorria no com-vívio de quem lá passava. Quando chegou a altura de retirar a relva os rizomas entravam por entre as pedras e a chuva caía agreste, esse foi o cenário que nos permitiu, depois de entregar pedaços de relva a instituições e quem mais quis transportar fragmentos, pensar que tanto dinheiro não podia estar afectado a uma fruição tão pontual. Assim começámos a focar não numa acção “brilhante” e fugaz, mas em exercícios de continuidade. O Pedras é exercitado em Lisboa e tem aberto as suas práticas, devidamente re-afinadas, para outros lugares de Portugal e de outros lugares do Mundo.

>>>> Sobre o festival Pedras
>>>> Vídeos do festival Pedras

Actividades semanais:

  • rotas e manuais de estar: A partir do “estar para nada” praticamos especificidades diversas. A 1ª dedica-se à escuta da migração, do deslocamento, ensinando-nos como, a partir das caminhadas sem direcção pré-definida, vai sendo possível escutar as formas que determinadas linhas desdobram para lá daquilo que temos como “conhecido”, a 2ª é um apelo à visão do “vôo da águia” acompanhando dispersões e ajuntamentos por 3 lugares escutando as confluências e rotações dos corpos com a cidade.
  • creche e centro de dia: Trazer a experiência do Corpo para o interior de instituições. Com os mais pequeninos ou os mais velhos queremos praticar um Corpo que não se vê constrangido, chegando a cada umaum como se vai fazendo possível no encontro. O “dentro” e o “fora” são marcos da nossa insistência, tanto a nível do recolhimento /expansão de cada corpo como no que se refere aos espaços de habitação/fruição. Re-encontrar a alegria de estar vivo em movimento é um dos objectivos.
  • fanzine: Um espaço de encontro entre quem vai criando cidade. Cada semana co-criamos uma fanzine que circula entre as pessoas que vamos conhecendo. São escritos e fotos (recolhidos durante as rotas/manuais de estar/outras práticas do cem), que co-existem numa fanzine a partir da qual pessoas do Mercado (re)conhecem outras da Mouraria ou alguém da Calçada de Santana intui os sonhos de quem está pela Baixa ou pelo Cais do Sodré. É uma forma de tecer relações a partir de um jornal interno.
  • ler na rua, escrita na rua: situações que criam uma atmosfera específica a partir da escrita ou leitura. Esta atmosfera perpassa os corpos e atravessa os lugares. Mesmo por entre a voracidade da turistificação de Lisboa é possível a instalação de um silêncio que permite uma outra vivência do lugar. Sabemos que a instalação destas atmosferas abre outras formas de estar e convida outras modulações de presença. Talvez pudéssemos dizer que têm por objectivo alentar a vivência da cidade.

 

Actividade mensal:

  • áudio pedras: São documentos áudio recolhidos em diversos contextos que trazem ao presente conversas demoradas com habitantes da cidade, o ruído das intermináveis obras ou outras sonoridades que vão aparecendo no quotidiano. Estes documentos sonham presentificar a memória do que a cidade ou o lugar vão sendo amplificando detalhes que não aparecem nas primeiras camadas do encontro com a experiência da cidade. O áudio pedras integra a Documentação do hoje.