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Blogger do Espaço Experimental
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Domingo, Julho 01, 2007 ( 6:57 PM ) CEM Notícias do Espaço Experimental de 28 de Junho: Apresentaram-se três trabalhos nesta noite: O meu, "Ivone", que faz parte do processo dançar teoria/dançar informação e que está a ser criado a partir da convivência com pessoas de idade avançada, estreia no dia 15 de Julho no âmbito do Festival Urbano Pedras d'Água. A segunda apresentação do laboratório orientado pelo Pater Michael Dietz, desta vez com o título "regra de 9 simples". O de Nuno Correia e Bernardo Narques, uma curta em fase final de se candidatar a um festival. Quanto a "Ivone" foi salientado a nível técnico que é preciso criar pausas no som e no movimento. De facto aindanão consigo criar espaço de pausa no movimento porque ainda me sinto incapaz de não sucumbir à força emocional das palavras delas registadas na banda sonora(que a Luz da Camara está a trabalhar)...Inicialmente este projecto seria apresentado na rua, ao ar livre, mas quando as "minhas velhinhas" se põem a falar de violência doméstica com aquela aceitação e sarcasmo...não consegui, vamos dançar na ARA aqui na Rua dos Fanqueiros. Foi muito importante para mim dançar neste espaço experimental para testar a minha resistência e para tentar manter a limpidez no corpo sem acentuar o lado facilitista do descritivo...Na conversa final falaram muito de movimentos inesperados e novos...deve ser mesmo o lado B da minha vida a aparecer! A Clara contou uma história que achei particularmente bonita:"quando eu era pequena havia uma senhora muito doce e muito meiga que se chamava Fá. Só quando as minhas filhas, ao ver a sua fotografia, me disseram que ela era feia é que vi que tinha bigodes...Costumava pentear-lhe os cabelos e usava o meu cuspo para ajudar a alisar os cabelos.Ela deixava, era comovente. O teu corpo soube captar a sabedoria de uma caminhada, uma atmosfera foi ter contigo e eu reconciliei-me...com o mundo." O segundo trabalho da noite foi o lab do Peter. Achei muito corajoso, depois do sucesso do ultimo E.E. atreverem-se a dançar outra vez...acho que foi mesmo importante!!! ainda bem que não ficaram no conforto do sucesso...desta vez tudo estava a deslizar. um dos comentários dos observadores foi a gestão da ineficácia. Para o Peter ainda falta muito trabalho de compromisso, de comitment! A Catarina Miranda, que também fez parte do grupo desta vez, disse ser evidente que o trabalho intensivo de 6 semanas oferece material para reutilizar mas que desta vez ele foi usado de forma fácil e inconsequente.Para o Bernardo Chatillonficou o facto de não ter conseguido sair do "portar bem" e da extrema importancia de todas as conversas pós improvisações que foram tendo para integrar o que se tinha criado. A discussão tornou-se acesa e daria para toda a noite... O último trabalho a noite foi o filme do Nuno com som do Bernardo. Trata-se de um trabalho composto sobre um filme de 1973, franco-checoslovaco. "É uma homenagem a esse filme que eu acho incontornável"disse Bernardo. Os problemas técnicos durante o visionamento dificultaram a percepção do ritmo e da dinâmica. O Bernardo e o Nuno trabalham em tempo real e a apresentação de uma peça assim deixou-me algumas dúvidas sobre o quanto eles quereriam que transparecesse o "play" com o material, de facto achei uma obra de cirurgia com pouco jogo, pareceu-me extremamente racional, grande arquitectura mental...mas é possivel que essa sensação venha do próprio material do filme que não é propriamente indiferente... a Luz da Camara opinou que deveria ser um filme visto pelos "putos" que passam a vida a fazer mal aos insectos e outras criaturas(neste filme o objecto de experiencias é humano...) De uma maneira geral foi sublinhado o material excessivo (talvez reduzir a cenas mais claras e límpidas) e o "cansaço dos criadores" notório na fase final. Por hoje é tudo, vou ainda passear um pouco para ver o domingo a chegra à noite, até à próxima, Sofia Neuparth # ( 5:56 PM ) CEM Notícias do Espaço Experimental de 21 de Junho: Tivemos duas apresentações e foi uma noite cheia de emoções! O primeiro trabalho é da Flávia Diabb e da Carol Hoffs"um bocado de mim um pouco de si" e sobre ele escreveram as duas performers(que curiosamente também são produtora e antropóloga respectivamente): Se perceber imigrante em Lisboa e encontrar diariamente outros estrangeiros desperta novos sentimentos e sensações acerca de si mesmo. Cotidianamente, os costumes, hábitos e até mesmo a língua é questionada pelo contato com os portugueses. Estes tantos e diversos imigrantes trazem consigo atitudes corporais que se tornam fontes insaciáveis de curiosidade, instigando novos âmbitos da presença e da experiência, novos sentimentos e novas reflexões sobre a condição de se estar fora de seu país. Ser Português, Angolano, Brasileiro, Guineense é apenas uma parte de nós. Quando imigramos, parece que perdemos a complexidade de nossa identidade. Aquilo que está em: Virgílio, Isabel, Maria, Luís, Francisco, Carolina, Flávia, Sanhá... Tendo estabelecido uma relação com indivíduos e comunidades imigrantes aqui em Lisboa através de encontros, caminhadas, almocinhos ou entrevistas as duas brasileiras começaram há três meses o trabalho de estúdio que tem sido ultimamnte acompanhado por Sanhá um músico Angolano com um sorriso sem fim. Contavam elas que por duas vezes que foram buscar o Sanhá à Reboleira para o ensaio, o carro pifou, e dentro da azáfama de arranjar um técnico para solucionar o problema ele entregava-se à guitarra e lá ficava calmamente improvisando... "Nós não queremos ser a brazuca"diz a Flávia, "onde fica a identidade de cada um quando vai para outro país?" "Todos os objectos colocados em cena têm uma história e vieram de longe"conta a Carol na conversa final. De facto quanto aos objectos ainda há muito trabalho a fazer pois não está clara a instalação morosa do início da performance sem que haja depois uma resolução para todos aqueles objectos...Todos nós comentámos a oportunidade da conversa que os performers tiveram no final da apresentação, aproximando-se de cada pessoa do público contando as histórias de cada objecto, mas o Peter Michael Dietz reforçou a necessidade de atenção mais detalhada à pertinencia dos objectos em cena..."porque não manter sempre alguém colocando objectos?"sugeriu. Para a Luz da Camara é necessário desenvolver ainda mais a especifidade da atmosfera do interior da casa...se é esse o objectivo. Eu vou insistir no cuidade com o leque de movimentos escolhidos, penso já haver uma base de trabalho quanto ao vocabulário de movimento mas torna-se necessário afinar o gesto e o encadeamento dos lugares mais simbolicos ou narrativos com o movimento abstracto que deixa espaço para o público. Também me parece importante insistir numa presença continuamente próxima que nunca se refugie no estar da "bailarina contemporânea". Veremos...estreia em novembro e eu pretendo continuar o coaching! A segunda apresentação da noite foi um exercício performativo sugerido por quem esteve a trabalhar no laboratório com o Peter e por ele próprio. Foi um dos momentos mais fortes dos espaços experimentais...Para o fotógrafo Mario Sérgio foi um trabalho extremo que passa da agressividade da urbe à organicidade, em saltos violentos."Ri-me à gragalhada"diz ele"achei uma sátira muito elegante, patética!" A Clara salientou a urgência de se fazer um trabalho como este no interior do ambiente escolar(ela é professora)"Conseguia-se dialogar com o que há de mais irritante!Surgia uma lógica nas coisas mais absurdas!apeteceu-me várias vezes mandar-vos àquela parte, acolher-vos...Estive o tempo todo em confrontação permanente!amei"Para o Peter os últimos dias deste trabalho revelaram-se muito ricos. "Mersmo que tivessemos filmado nunca seria a mesma coisa!" A Rita Teodoro, uma das performers do colectivo de improvisação, salientou a questão de nunca se saber quanto tempo e de que forma cada proposta se aguenta "é um risco constante!" Para mim foi extremamente REFRESCANTE não reconhecer paternalismo, nem imposição, nem submissão...mesmo com o Peter a performar com o grupo de "alunos"...estou completamente pronta para não ver nada tão cheio de autonomia tão cedo ...Valeu! No dia seguinte a Margharida Agostinho tinha este texto escrito por ela ao correr da pena, que acho que vale a pena partilhar: A performance e a insistência Ontem assisti a um exercício performativo a partir de um laboratório de improvisação. Fiquei com uma sensação específica no corpo que traduzo com a palavra insistência. Foi muito precioso acompanhar os performers na sua insistência em fazer o que estavam a fazer. Em vê-los na insistência que insiste em seguir sempre a proposta que está ali. E não ceder a nada, nada, nada. Especialmente à protecção. A dizer "agora não sei resolver isto, faço de conta que não vejo, e apanho a vida mais adiante, como se não se tivesse passado nada. Apanho a vida só quando me achar confortável e tiver uma proposta gira que transmita aquilo que eu quero que os outros pensem de mim." Não. Insistir sempre até à absorção total da insistência. É isso que, para mim, dá uma coerência enorme àquilo que somos. "Eu sou" é uma insistência até às últimas consequências. E no entanto é frequente esse potencial incrível ser dissipado em formas frágeis, e a vida torna-se um conjunto de tarefas para proteger essa casca que sabemos sempre que é frágil, mas que acreditamos ser nós. Protegemos essa casca porque se se partisse essa forma, se se corrompesse essa imagem deixaríamos de saber quem somos. Quando nunca soubemos.É por isso que a performance salva.Salva porque é capaz de mostrar que a revelação das coisas como elas são está na insistência de as acompanhar desde o primeiro momento. Quando ainda não se sabe o que elas são de facto. A performace salva porque convida o espectador a perceber o princípio alquímico que diz que as coisas começam a ser no momento em que se deseja elas sejam. É isso que eu entendo que faz a performance. Mostra o que está nos bastidores do que chamamos realidade. E se o performer souber insistir nisso, então talvez se crie o espaço de podermos repensar o interior da casca. Deixo-vos por agora Sofia Neuparth # Quarta-feira, Junho 20, 2007 ( 9:57 AM ) CEM noticias do ultimo espaco experimental, dia 31 de Maio Esta noite trouxe-nos 3 apresentacoes, a da Margarida Agostinho(investigacao em escrita), a minha com a Laura Banuelos e Luz da Camara(investigacao dancar teoria) e a da Cinira Macedo(investigacao sobre o gelo) O trabalho da Margarida foi feito a partir de fotografias de escritos nas paredes. Para ela nao se trata do rasgo de improviso mas de nao ser um processo mental, quando se escreve na parede nao se esta a pensar numa grande obra. Durante a apresentacao, as fotos que circularam pelo publico foram acompanhadas de pequenos textos escritos pela Margarida. Curiosamente uma das pessoas presentes nao conseguia ler os textos o que criou uma situacao interessante de proximidade espontanea em que a Margarida teve que se aproximar e sussurrar aquilo que estava escrito. Sendo a comunicacao uma das zonas por excelencia de investimento de todo este processo de investigacao em escrita esta capacidade de transformar as vias de ligacao em relacao ao contexto criado no momento sem alterar a atmosfera de reflexao e intimidade conseguida teve uma grande riqueza. Dizia-nos ela na conversa final que se tivesse planeado ler os textos `a partida tinha saido torto porque isso me tiraria do sitio. Como tive mesmo que resolver a situacao no momento penso que consegui nao passar o foco para mim, mantendo a atmosfera da escrita, sendo no entanto acolhida no contexto global. Realmente estar exposto como `guia` em determinada experiencia mantendo uma via de facilitador em lugar de protagonista parece-me bastante interessante. O segundo trabalho da noite foi a minha investigacao "dancar teoria". Para a Laura Banuelos, que desta vez se centrou na leitura em voz alta, nao existiu alinhamento nenhum. Para a Clara, enquanto publico, o trabalho sofre neste momento de um excesso de estruturacao que dificulta o "espasmo" de que fala Deleuze em relacao a Bacon(um dos livros trabalhados nessa noite). No entanto, por muito volatil ou inconsistente que tenha sido este momento de trio 'e curioso salientar que a Luz da Camara, que estvava a desenhar, materializou linhas e formas que ainda estavam invisiveis e que so se definiam entre o meu movimento, a relacao com o texto e a atmosfera criada por todos nos, muito depois...acho fascinante! como 'e possivel criar uma invisibilidade colectiva sensivel que possibilita a materializacao de formas no momento do seu nascimento? Qunato ao trabalho da Cinira Macedo a partir da sua pesquisa sobre as qualidades do gelo, na conversa final, ela salientou a importancia que esta a dar neste momento aos espacos vazios que existem entre as particulas da materia(A Cinira tem formacao em Biologia). Para mim, que consegui detectar ondas de movimento no seu corpo que me pareceram interessantes e especificas, ficou-me a vontade de um maior atrevimento, correndo o risco do afastamento da proposta para esta sessao, que permitisse fazer explodir o movimento e "deixar aparecer" a sua qualidade intrinseca. Os feedbacks da maior parte dos presentes foram na direcao da evidente criacao de um espaco envolvente, uma pelicula (talvez agua)...embora, para este trabalho especifico, a interseccao do ruido exterior tenha dificultado a leitura. Bom, por aqui me fico. Amanha temos outro espaco experimental onde a Carol Hoffs e a Falvia Diab vao apresentar um momento do seu processo de criacao com as comunidades migrantes e o Peter Michael Dietz vai partilhar o trabalho desenvolvido com a zona z ao longo deste ultimo laboratorio de improvisacao. ate amnha, Sofia Neuparth # Quinta-feira, Maio 24, 2007 ( 6:46 PM ) CEM Notícias do espaço experimental de 10 de maio: tivemos 3 apresentações nessa noite, o meu trabalho sobre dançar a teoria/informação, o trabalho de som do Rui Chaves e o "Gelo" de Cinira Macedo. Esta noite dancei com a Luz da Camara a ler sobre favelas, atmosferas e situacionistas. "há aqui um circuito que ainda não está...mas obrigada por nos permitirem estudar em performance" foi qualquer coisa assim que eu disse entre o princípio e o fim da conversa final. A Luz falou de estados liminares, ritos de passagem, como se o processo estivesse descaradamente em fase de indefinição absoluta o que, se por um lado é assustador, por outro deixa esta nadez maravilhosa que permite o nascimento de qualquer coisa. Para a Ainhoa Vidal a minha dança ainda tem um pé e meio no acompanhamento do momento e só meio pé na intuição e que será essa nova camada que me permitirá entrar na acção antes da palavra, encontrar os momentos (que ainda são muito escassos) onde o corpo apanha o gesto antes do momento existir. Parece esquisito para já mas é por aí concerteza...dançar informação, criar um ar invisível onde não haja protagonismo disto ou daquilo mas a sensação de estar por dentro da criação, da ventania, da circulação dos pensamentos. Para a Margarida Agostinho foi muito refrescante o sotaque da Luz nos textos em inglês, um à vontade bem vindo que desendurecia a fala. Bom, quer queiram quer não queiram isto está para durar! A proposta do Rui faz parte de uma possibilidade de trabalho para o concurso de Jovens Criadores. Para a Luz aproximava-se de uma sinfonia, para a Ainhoa precisaria de uma outra camada..."esta música não tem olhos, falta-lhe o sentido do olhar." Para mim ficou claro que os sons lançados pelo Rui têm uma redondeza muito própria, o que acho que faz falta agora é definir se os recursos do programa utilizado para os loops são uma armadilha ou uma escolha afinada. Parece-me muito circular a sonoridade deste trabalho, é interessante mas fica-me essa dúvida... O Bernardo Chatillon disse sentir-se "amanteigado"e que essa sensação era muito agradável... ficou a hipótese de ouvirmos um dia o Rui tocar algo ao vivo mas sem máquinas. A última apresentação da noite foi o "Gelo". "Não pegava nisto há 4 meses e precisava saber onde estava agora"comentou a Cinira. Para o Bernardo foi hipnótico, como o detalhe de uma coisa maior.Para a Ainhoa o desafio seria trabalhar em algo focado onde possibilitasse a entrada do ritmo. A Luz salientou a imagem de algas e a Margarida apontou a inquietude do olhar. Para mim pareceu-me uma dança que está a transformar-se noutra, já tinha visto este solo em video apresentado no Brasil e não consegui reconhecer a proposta mas é sempre um prazer acompanhar o caminho da Cinira, talvez o mapa geográfico esteja mesmo em mudança. Mesmo no final da noite conversámos todos um pouco sobre a evolução deste espaço de experimentação e discussão para que possamos fazer uma redefinição dos seus contornos...é cada vez mais um lugar de trabalho onde cada criador tem que afinar a capacidade de mostrar e discutir trabalho próprio guardando a prontidão de observar e feedbackar trabalhos dos outros...aí é mesmo diferente de uma studio performance ou de outro formato qualquer que proponha a apresentação e discussão de um processo ou de um trabalho esperimental! É PRECISO UMA GRANDE GINÁsTICA PARA TE MOVERES ASSIM DE TI PARA OS OUTROS E DE NOVO A TI PRÓPRIO ENQUANTO OBSERVADOR OU CRIADOR... PARA JÁ É EVIDENTEMENTE UM ESPAÇO IMPRESCINDÍVEL, até já sofia neuparth # Quinta-feira, Março 08, 2007 ( 8:36 PM ) CEM Bom dia, cá vão noticias do ultimo Espaço Experimental (22 de fevereiro). Três apresentações, três mulheres: Luciana Navarro (da companhia brasileira Obragem), Sara Jaleco (zona z) e Eugénia Lopes (estagiária no c.e.m). A proposta que a Luciana trouxe para feedback é uma fase de um trabalho que tem um ano de gestação. A sua presença entre terna e em dúvida deixou-me no ar a palavra "espera". Não me ficou clara a questão que ali se apresentava. A MULHER, o corpo, a representação, o cliché. Entre a exposição e o recato ficou uma indefinição que me parece urgente ser afinada para que a proposta siga o seu caminho. Como o Ronie (FIacompanhada) comentou na conversa final era quase possivel este corpo estar numa vitrine. Essa distância cortada por momentos tão próximos do olhar, da luz da pele semi nua, deu-me vontade que a Luciana investisse mais profundamente no "lugar" deste solo em si própria. Onde está em si essa tal mulher? mais um rasgo de atrevimento e talvez lhe apareça o grito que ainda está contido. O solo da Sara trouxe a recta final de M.O.I. a estrear no Beleza já a 20 deste mês. Pareceu-me bastante útil esta passagem no E.E. pois tornou muito evidente a necessidade de uma reviravolta de fundo na estruturação do material. A esse respeito Eduardo Giacomini(também da Cia. Obragem) salientou a proliferação de micro histórias :"interessa-me as histórias que o teu corpo conta, mas mostrou muitas histórias...escolhe umas ou trabalha todas muito". Sem trazer uma personagem a Sara apresenta-nos uma mulher que tanto é universal/banal como se transforma em alguém que vi ali no multibanco ou ainda se revela nua como a propria Sara. Um trabalho corajoso que me parece assumir grande importancia no seu percurso pessoal e ter o potencial de deixar sabor no ar, de lançar curiosidade no publico. Estaremos lá para ver! A última apresentação da noite foi da Eugénia. Uma presença muito dura e agressiva que, nas palavras dos feedbackers, se tornou numa "proposta artística muito datada dentro da performance" que denota falta de informação sobre História e ausência de sentido crítico sobre aquilo que está ou não preparado para feedback. Os vários trabalhos que Eugénia tem trazido ao E.E. precisam agora de uma atenção especial para que seja possivel escolher uma linha de construção ou partir para a opção de os considerar não enquanto matéria para desenvolvimento mas antes como eventos performativos pontuais que terão então que escolher um outro lugar de apresentação já que o feedback se torna praticamente inutil. Bom, aqui vos deixo e daqui a pouco começará mais uma sessão do E.E. ...até já sofia neuparth # Segunda-feira, Janeiro 22, 2007 ( 11:29 AM ) CEM Espaço Experimental – Dia 11 de Janeiro Este Espaço Experimental teve a participação do Alban, ?lex Campos e André Castro numa improvisação sonora, da Juliana Alves (Formação Intensiva acompanhada - FIa) num solo dançado, do grupo total da FIa numa apresentação do “Cabaret” que estavam a preparar para angariar fundos que permitissem fazer uma viagem ao deserto no contexto do laboratório de imagem com o Alex (acompanhado por Pedro Sena Nunes e Luciana Fina), da Carolina Hoffs (estagiária no c.e.m a trabalhar em antropologia/dança) e de mim própria com a Luz Camara numa das primeiras explorações com público de uma peça que estudo para 2008. Foi um encontro diversificado e bastante interessante mas muito longo (pelo menos para mim que me levanto ainda de noite…) o que me faz pensar muito seriamente na hora certa para uma sessão como esta…talvez as características dos trabalhos contemporâneos necessitem de uma revisão quanto às horas ideais de apresentação…Se calhar existem mesmo trabalhos mais diurnos do que outros…bom, veremos a evolução destas cogitações… Continuando…Os primeiros foram os 3 As. Dispusemo-nos pelo chão da sala, os instrumentos estavam espalhados por ali e os músicos iam atravessando o material disponível. O trabalho pareceu-me ainda muito confuso, tanto a nível da informação visual (material disperso, projecção de vídeo no tecto…cabos a mais…pouca clareza quanto à colocação dos ouvintes…), como no que diz respeito à teia sonora criada que me parece poder ganhar ainda muita qualidade a partir de uma entre-escuta mais afinada e, eventualmente, de um score mais definido caso só tenham ao dispor os 20 minutos que propuseram. Um outro ponto que julgo importante reconsiderar é o conteúdo do vídeo projectado já que me pareceu muito ilustrativo em relação à sonoridade global. Foi da opinião geral que se gerava entre os 3 uma atmosfera muito forte e que havia sintonia entre eles mas que deveriam trabalhar mais na articulação das escolhas dos sons. Na conversa final a Clara Silva destacou a importância da informalidade e a força de alguns dos momentos sonoros produzidos, o Bernardo Chatillon (FIA) salientou a “tensão” criada pelo estado de brincadeira entre eles que estava sempre quase a nascer e a Luz Camara apontou a beleza dos reflexos luminosos que a imagem vídeo produzia ao “passar”pelo espelho. A segunda apresentação da noite foi da Juliana Alves que dançou um solo num espaço reduzido criado entre duas filas de cadeiras dispostas frente a frente a todo o comprimento da sala. Foi um momento muito rápido que acabou por saber a pouco e que, quando terminou, parecia prometer continuar. Para a Juliana Alves foi surpreendente constatar que elementos do último trabalho coreográfico apresentado teimavam em reaparecer, transformados mas insistentes. Alguns dos feedbacks apontaram para o estado performativo descontraído mas também para a crescente agressividade criada no corpo da Juliana Alves à medida que se sentia “encurralada” pela matéria de movimento do solo anterior. Para mim foi um caso claro de scaneamento do momento actual e pareceu-me bastante importante que esse “trânsito” entre o material de movimento trabalhado e o vocabulário emergente tivesse sido dançado. Foi muito curioso que, mesmo estando sentada tão próxima da fila de cadeiras da frente, me tenha sempre mantido “presa” ao movimento da Juliana… A Carolina Hoffs dançou logo de seguida; colocámos as cadeiras em círculo enquanto ela pedia ao Alex Campos e ao Rui Chaves que a ajudassem com o CD que acompanhava a dança…foi um pouco desconfortável esse início mas à medida que Carol ia dançando sobressaía a qualidade da sua presença connosco. Interessou-me particularmente o olhar, embora por vezes me parecesse construído demais. O movimento improvisado não me pareceu especialmente importante…vejo antes esta “entrada” de dança para feedback como o início de um caminho que me proponho acompanhar intensamente. Deixo para o fim o comentário à minha proposta porque a discussão sobre a apresentação do “Cabaret” não foi muito extensa. Na verdade foi um momento de entertainement curioso…foi muito engraçado entrar na sala e deparar com 10 figuras imóveis coloridas e glamorosas que de quando em onde desenhavam uma sequência de movimentos sincronizados absurdos ao som de um teclado “foleiro”! Para eles claro que foi importante testar a capacidade de avançar com o espectáculo a “sério”, para os feedbackers pouco mais nos restava a não ser incentivar a coragem de acreditar mesmo na fórmula escolhida. Para terminar aqui vão breves linhas sobre o trabalho que apresentei: interessa-me neste momento o feedback mais básico “o que é que vês?”. A Ana Bigotte comentou que havia movimento e texto a mais (eu dançava e a Luz lia um texto de Michel Certeau e um poema de Su Dongpo) o que concordo perfeitamente embora ache essencial que a “limpeza” surja da experiência da acção e não do conceito. A Clara salientou um elemento fundamental (que sinceramente não consigo acreditar que já esteja presente em qualidade): “num movimento vejo a coisa e o seu inverso”. A Margarida Agostinho valorizou especialmente o tom coloquial que a Luz Camara conseguiu quando nos apresentou no início do trabalho, qualidade que aos poucos foi sendo substituída pela tal “voz colocada do actor” que tanto eu como a Luz queremos evitar…quanto ao vocabulário de movimento achei curioso o comentário do Ronie Rodrigues (FIA) “parece que você se engasga enquanto dança”. Um feedback generalizado foi a transparência da relação que eu e a Luz temos no dia a dia…ok, vamos continuar, até à próxima!! Sofia Neuparth # Quinta-feira, Dezembro 07, 2006 ( 12:02 PM ) CEM Notícias do Espaço Experimental de 23 de Novembro: Contámos com 3 apresentações. A Mariana Lemos prepara agora um trabalho para apresentações no santiago Alquimista dia 19 de dezembro e trouxe aqui um excerto para feedback, a Joana Campos (Formação Intensiva Acompanhada) estreou-se no EE com um solo improvisado e o António Rodrigues apresentou uma parte de uma peça que estará em Março próximo na Casa dos Dias d'Água. A primeira apresentação da noite trouxe-nos a Mariana, o Alex Campos e o Bernardo Chatillon (FIa). Entraram de furacão na sala com um tubo comprido de cartão. A Antónia Alves na conversa final comentou: "o que senti foi uma catástrofe instalada que me remetia para a habitação. Um estado de sítio...." e, mais sossegada,"uma imagem lindíssima com as flores, ele semi nu ao pé dela". Para o Ronie Suizani (FIa) as imagens nunca tinham tempo de se instalar e faltava simplicidade na acção, o som tornava-se muito mais forte do que a presença dos performers salvo quando o Alex parou de pé em silêncio por momentos. O Bernardo Marques (dj)levantou a questão do Punk enquanto conhecimento de regras que se ignoram e o detalhe de os performers nunca se olharem nos olhos; para o Bernardo o som era mais uma pessoa em cena e não era de todo agressivo, a interacção com os performers é que estava demasiado literal. Eu estou a acompanhar o trabalho e vejo-me numa situação complicada de manter o feedback limpo sem dirigir porque entendo a proposta da Mariana mas não vejo nada de Punk nem de explosivo...continuarei a acompanhar mas chegará o momento em que "a coisa" vai mesmo ter que se mostrar nua; com ou sem cuecas... Quanto ao solo da Joana um escritor amigo da Antónia comentou que "a dança abriu um lugar de poesia que se pode saborear".Para a Juliana Alves (FIa) o movimento tinha uma qualidade aquática, como o gotejar, e balançava entre o seco e o molhado. O Ronie detectou trabalho de esqueleto, ossos em movimento. O António comentou:"trata-se de uma acção específica que só tu podes fazer"Isto eu achei curioso porque de facto vi muitos movimentos de outros corpos no movimento da Joana, nomeadamente gestos da Ainhoa...fico a pensar nas tais "ferramentas" do corpo, se o corpo para aceder a movimentações próprias terá que passar mesmo pelas movimentações de outros corpos...se isso é uma forma "tosca" de reconhecer fisicamente estados e desenhos detectados em outros corpos ou se faz parte de um processo semelhante ao da aprendizagem da linguagem verbal...Fiquei muito feliz com a dança da Joana, sinto confiança a crescer. Lembro-me das plantas. A ùltima apresentação da noite foi do António que, na conversa final, começou por agradecer estar ali e lembrar a sua primeira aterragem em Lisboa que, de facto, tinha sido logo com um baptismo no Espaço Experimental há já longos anos ainda o c.e.m estava na Praça da Alegria:2nessa altura havia muita gente de teatro envolvida no trabalho de formação do c.e.m e muitos deles estão agora em grandes carreiras profissionais!" claro que fiquei contente de ouvir isto principalmente porque o senti mesmo entusiasmado ao dizê-lo!... A sua apresentação teve os seus incidentes técnicos já que o material não era o ideal para a cena e a Mariana chegou a dizer que tnha estado todo o tempo aflita que ele não estivesse em controlo das situações físicas que provocava. Eu não senti esse descntrolo mas posso entender que por vezes estava no limiar do desastre...o Bernardo Chatillon sugeriu que ele assumisse o circo do confronto entre controlo e descontrolo.O Alex perguntou se ele procurava o super expressionismo já que ao relacionar-se com o que rodeava recorria muitas vezes ao reforço do literal. Para o Bernardo Marques o António quase tocava o exagero. Para mim, independentemente das escolhas estéticas que passam pelo tal evidente, literal e reforçado (que não seriam as minhas concerteza) fiquei em paz com a autenticidade do seu estar lá! Acho mesmo que o António tem uma grande qualidade de não fugir de estar em cena...gostava de o ver trabalhar na subtileza e na simpliciddae da comunicação mas ...isso já é escolha dele! Hoje à noite teremos mais um Espaço Experimental que será o único de Dezembro, se não vier hoje vemo-nos em janeiro e boas festividades...bons abraços. Sofia Neuparth # Terça-feira, Novembro 21, 2006 ( 8:36 PM ) CEM Sobre o Espaço Experimental de 9 de Novembro: Tínhamos falado que para este EE poderíamos aproveitar o tempo de conversa final para levantar questões sobre a filosofia, estrutura e funcionamento do próprio Espaço Experimental. Existe este encontro quinzenal desde 1993 e talvez seja altura de lhe "medir a temperatura". A pertinência deste lugar de discussão e apresentação de processos parece-me completamente fundamental no entanto a continuidade de um espaço quinzenal pode criar equívocos. A informalidade, a meu ver, abre o potencial de discutir abertamente e "sem cerimónias", a quase banalização subjacente à regularidade, à tal informalidade e até talvez ao excessivo"à vontade" que alguns participantes mais comuns acabam por encarnar, põe em perigo a percepção da sua importancia enquanto espaço de experimentação/sessão de trabalho não só para o criador proponente mas também para o observador/público. É isso que me parece essencial: o Espaço Experimental é um espaço de trabalho para todos os envolvidos -criadores, público, observadores, críticos. Não posso dizer que tenhamos desenvolvido muito a discussão sobre esta temática mas a verdade é que começou a levantar perguntas e todos os interessados na "revitalização" do EE têm mantido contacto via email ou a partir de conversas várias. Fica aqui desde já o desafio! Bom, quanto às apresentações da noite tivemos a Rita Teodoro,Rita Menezes e Ainhoa Vidal/Rui Chaves. A primeira proposta trouxe-nos a Rita muito nervosa. Para a Ainhoa Vidal foram as mãos que lhe chamaram a atenção enquanto a Rita enrolava o fio disposto num "labirinto" pelo chão. A skill de lidar com agilidade o material terá de ser mais trabalhada para que sepossa manter a limpeza da proposta. Para Laura Bañuelos pareceu-lhe que, quando começou ( A Rita de cóqueras ao fundo da sala com uma camisola de lã grossa e barrete,pernas nuas, um novelo inteiro de fio espalhado desde lá até nós numa intrincada malha, os olhos enormes) era já o fim da peça e tudo o que se desenrolou a seguir era como acumular sobre o que já estava. Ocorreu-me se poderia ser um trabalho cuja forma final fosse em formato de fotografia. Achei bem interessante isso mas ainda não sei bem porquê, se verá... A segunda apresentou um excerto de uma instalação "dançada" na abertura do festival Número. Estendeu uma tira de plástico "com bolinhas" no chão e passou por cima relatando-nos o que tinha sucedido dessa vez. Sugerimos na conversa final que propusesse um espaço de ensaio acompanhado por alguém que ela convidasse para o efeito, de forma a considerar com seriedade as questões que a movem. Referindo-se á narrativa da Rita a Joana Campos(FIa) comentou que lhe pareceu que ela mentia, que aquilo que contava não tinha de facto acontecido. A Laura sugeriu que ela trabalhasse a previsibilidade e eu sugeri que ela pensasse se os materias que lhe estão a interessar (tintas, plástico, papel) são para "dançar" enquanto experiência sensorial para ela própria ou se lhe interessa comunicar essa sensação para o público. Penso que o trabalho ainda está só numa fase de levantamento de curiosidades e, se é para ser "lançado aos leões", tem mesmo que ser encarado de frente. Quanto à ultima proposta da noite...Ainhoa largou-se a dançar e a meio convidou o Rui Chaves. "Alguma coisa nova está a nascer em mim!" dizia ela na conversa final...é um luxo podermos partilhar estes momentos de nascimento de uma nova zona na investigação de um criador!!! O Rui trás o desassossego jovem e desinstalado que,enquanto força, combina brilhantemente com a presença em crescimento deste novo lugar da Ainhoa...um brilho diferente. Penso que é essencial que o Rui encare o seu trabalho continuado enquanto pesquisador de corpo, de som, de imagem com muito mais rigor. O diamante que o Rui expõe ainda não é navegado por ele e urge acarinhar esse talento com humildade e muito trabalho.O ?lex comentou a propósito disto: "tens que pesar o lugar que te propões.Fico horrorizado pensar que passei por momentos assim...mas agora também sou eu que escolho..." A Ainhoa diz que ficou estupfacta com o brilho da entrada do Rui e que se sentiu desarmada...foi de facto uma apresentação faiscante.UFFF! Assim chegámos ao final e até breve. # Terça-feira, Novembro 07, 2006 ( 9:39 AM ) CEM Bom dia.Aqui vão as notícias do espaço experimental de 26 de Outubro! O primeiro trabalho foi do Yann Gibert. A figura apresentou-se na penumbra evoluindo na nossa direcção desde o fundo da sala pé ante pé. "as janelas deste espaço deixam penetrar a luz e o som do exterior, para mim é suficiente, não preciso de mais do que isso"disse o Yann na conversa final"Nessas condições tenho uma informação visual e sonora low fidelity que combina muito bem com o som gravado directamente do mp3" O texto que se ouvia faz parte de um conjunto de 3 escritos ficcionais sobre o "canibalismo feninino" surgido a partir do trabalho apresentado por Yann na Zona Z no passado mês de junho. "Neste momento não é importante que se perceba o que digo no texto"justificou quando a Ainhoa referiu que o som gravado provocava muito ruído na apresentação e que se ele optasse pelo silêncio em relação a som adicional teria que ter consciência de que a sua presença teria que ser afinada pois não estava suficientemente trabalhada, "justa " foi a palavra que usou. Quanto à importância da densidade da sua forma de estar em cena Catarina Miranda (FIa) também salientou que não sentia ligação de Yann com o público presente e que lhe faltaram "lugares" para se agarrar ao que estava a acontecer. Uma apresentação misteriosa e curiosa a que, a meu ver, urge investir no rigor da abordagem do corpo em termos de centro de equilíbrio, jogo com assimetrias da figura e desmultiplicação da imagem construida em profundidade em relação à perspectiva do receptor. No final da discussão, que acabou por se centrar bastante na tensão criada pelo Yann em relação ao feedback da Ainhoa, ela ainda comentou algo que me pareceu interessante:"tu abres a porta do lado escuro e depois não pões os dois pés lá, não entras mesmo". Na minha opinião é absolutamente essencial que Yann acompanhe a sua acção "all the way". Pois veremos... A segunda apresentação da noite foi de Eugénia Lopes. Decididamente foi uma noite de escuridão...talvez antes de escureza. Durante quase toda a apresentação de Eugénia estive num lugar sagrado, antigo, imaterial mas extremamente corpóreo. Veio-me a relação com "mormon" mas depois não encaixava a solidão, o não pertencer a... para Ainhoa a figura trazia-lhe Simone Weil, escritora, lutadora e filósofa francesa do início do séc. XX que morreu com 34 anos.É possível. Composicionalmente não me parece que Eugénia estivesse consciente do plano místico que estava a abrir. A sua entrada em cena de gatas, vestida de escuro, à luz de um candeeiro entornado no chão e o levantar-se a rodopiar velozmente foi bastante forte. Juliana Alves (FIa) comentou que tinha ficado fixada nos seus pés.Para Ronie Suizani e Viviane Domingues(ambos FIa) o jogo de sombras na parede foi relevante. Bernardo, uma pessoa que veio com Yann, afirmou que a sua sensação era de que a narrativa continuava no exterior, que o que acontecia na sala em que nos encontrávamos tinha continuidade lá fora. Já no final Clara Silva comentou" quando entraste estavas a escavar o espaço com uma figura arqueológica, quando caiste não foi no território que tinhas escavado" Para mim, essa queda que se seguiu ao intenso rodopio não cabia na ambiência criada, não foi uma forma de resolver mas uma fuga inconsistente e daí tudo o que se lhe seguiu, inclusivamente o texto que Eugénia falou da sua autoria, era já irrelevante. Para ela a procura estava na complexidade que a forma de entrar repetida na saída ganharía com a experiência do que se desenrolava entretanto. Para todos os presentes ficou claro que a entrada e a chegada à vertical com as voltas eram já uma proposta clara e para seguir investigando. Pois veremos também...até à próxima que é já no dia 9!!!! Já agora passo a explicar que as iniciais "FIa" correspondem a Formação Intensiva Acompanhada (ver no site em Zona Z) e vou-me agora!!! Sofia Neuparth # Terça-feira, Outubro 17, 2006 ( 9:02 AM ) CEM Cá estamos de volta para as notícias sobre o Espaço Experimental! Na quinta feira passada, dia 12 de Outubro, demos início a mais uma temporada de experimentação, erros, feedbacks, reflexões...enfim...processos de criação. A noite contou com a particicipação de Myrna Renaud (uma artista sul americana), do Alex Campos e de mim (Sofia Neuparth). Myrna começou por apresentar o trabalho de video"Guarda Rayas", o resultado de um processo de 2 anos, iniciado em Londres que cruzou o Atlântico, de Puerto Rico a Barcelona, numa proposta de "transmigração" atravessando fronteiras e dessiminando as linhas que separam os lugares. Trata-se de um trabalho coreográfico criado para ser apresentado em vitrines de espaços públicos que contou com 16 apresentaçõs em 7 lugares diferentes. O material partilhado connosco no E.E. foi um trabalho de video editado por um artista exterior ao processo criativo (Ivo Reis). A relação entre a imagem e o som , bem como o encadeamento de zonas de acção ou o "protagonismo" dado a determinadas situações em detrimento de outras que a coreógrafa tinha como essenciais, tornou complicado o ajustamento do material que nos tinha sido apresentado ao contexto introduzido por Myrna. De facto a coreógrafa propôs ao videasta um trabalho próprio a partir do material da peça e não a documentação da proposta inicial o que, se por um lado pode ser entusiamante, por outro só pode deslocar os conteudos para outras zonas...pessoalmente agrada-me a ideia de deixar o trabalho seguir seu caminho o que me confunde é se o criador da "viagem" inicial o coloca ainda sob a mesma persepectiva. O conceito pareceu-me interessante e consigo sentir claramente o crescimento que é apresentar , nas mesmas condições, uma proposta em espaços tão diferentes e para formas de estar tão diferentes como Londres ou Porto Rico. Fiquei com a impressão de que as bailarinas eram demasiado jovens mas na conversa final Myrna esclareceu que o elenco mudou várias vezes e que tudo se desenrolou de um dueto que ela própria dançava. "A mobilidade foi um ponto de partida para mim"dizia Myrna."o observador converte-se em observado." Na vitrine ía crescendo uma massa de tinta que em algumas situações impossibilitou mesmo que os transeuntes vissem a performance. A Rita Teodoro comentou no final que o video não traduzia mesmo a proposta inicial e que isso "lesionou" bastante a forma como nos disposemos a estar com a peça. (eu fiquei com curiosidade de a ver dançar...) A segunda proposta da noite foi uma improv minha. Para mim foi importante dançar e fiquei com uma sensação quase triste de que algo tinha acabado. O som, a luz, a presença de todas as pessoas que vou conhecendo, os sonhos, atravessam-me como correntes de água.Terei que escutar o que está então a começar... os feedbacks dos presentes foram: Myrna: a ternura dos olhos fechados; Rita T.:uma corrente de água pequena, uma lágrima; Ronie: o gesto ia-se transformando, o envelhecimento, imagens fortes do quotidiano; Luz Camara:os olhos fechados umas vezes estavam a ver e outras estavam para dentro, quando eu disse "isto é fake" é que se abriu alguma coisa, os rasgões de velocidade davam sentido ao todo; Inês :mais honesto o "fake", "não senti que estavas a apanhar as coisas que estavas a apanhar"; Alex Campos: demasiadao ligada ao som gravado("ao passo das pedras d'água" de André Castro) e ao som da rua e da sala, "muito mãe"; Ainhoa: movimentos recorrentes como as mãos em plano paralelo ao chão ou o avanço do ouvido esquerdo levantam agora a questão se funcionam enquanto ferramentas para sintonizar com determinado estado ou enquanto armadilhas, "o teu corpo tem que estar muito mais rápido para prever o momento e estar com o momento, sinto muito em mim que não deixas ir com confiança quando estás a acompanhar um momento de forma a apoder apanhar o nascer de alguma outra coisa". Fiquei com a sensação que a minha dança faz mais sentido em formato de laboratórioe enquanto material para discussão. A última apresentação da noite foi do Alex Campos, mostrou-nos uma peça em video que alguns de nós já conheciam ("Amazónia"). Projectado no tecto da "capela" era visto por nó deitados em redes suspensas pelo espaço. "quero desenvolver um tabalho nómada, deslocando-me a lugares no Mundo (Ásia, América...) criando um mapa de estações, em cada espaço uma nova peça com as pessoas locais que, idealmente, se deslocarão comigo até à próxima paragem". A Inês Santos comentou que o volume excessivo do som a magoou e que era demasiado previsível a fórmula de crescendo utilizada, também referiu que lhe fazia muita falta a presença humana. Para o Alex o trabalho foi de facto realizado num lugar cheio de hunanidade, "era uma comunidade", mas o que mais o marcou foi a imposição do Homem sobre tudo...durante a viagem, num lugar onde a natureza tem uma força poderosíssima, o que tu ouves realmente é o som do motor do barco onde te deslocas. Para o Rui Chaves é muito recorrente no trabalho do Alex o transporte para a memória física de um lugar. Muito comentado por todos foi o facto de grande parte da peça consistir na perspectiva do exterior (por vezes muito dificilmente identificavel) desde uma fresta da madeira do barco. A Myrna comentou ainda que o que a tocou mais foi a ausência, "como uma cancelação", a sensibilidade de tudo aquilo que não é "assunto da câmara". a noite já ía alta, mais um chá e o cansaço mandou-nos a todos "prá caminha"...e vivam as aspas que enfeitaram tão bem este comentário ao E.E.! e vemo-nos em breve! e ....bom, vamos em frente Sofia Neuparth # Sexta-feira, Junho 30, 2006 ( 9:56 AM ) CEM Bom dia!!!!long time no see... entre ensaios e mais ensaios nunca mais consegui arranjar disponibilidade para escrever os feedbacks do Espaço Experimental mas gostava de não terminar a temporada sem dar um olá e dizer que a experimentação está longe de estar em stand by por aqui!!! o Festival Urbano Pedras d'Água está a decorrer com muita velocidade e estamos com muita vontade de chegar a um lugar de reflexão sobre todo este ano de trabalho que se revelou mesmo INTENSO. Em outubro retomamos os Espaços Experimentais e esperamos que continuem a frequentar este espaço REGULAR de discussão e apresentação que nos parece mesmo muito útil e que ocupa um lugar pouco acarinhado nas lides performativas portuguesas...até já Sofia # Sábado, Março 25, 2006 ( 5:50 PM ) CEM Bom dia, hoje é sábado e estou no meio do Alentejo...não sei até onde vou conseguir falar do último espaço experimental porque ainda quero ver o pôr do sol lá fora...até agora tenho passado o dia todo no campo com o meu filho André entre trevos, ervas outras, amendoeiras, oliveiras,pássaros, vacas, ovelhas, insectos, aranhas e até o princípio das papoilas. Imagino que dentro em breve este tapete verde alto e húmido dará lugar aos amarelos e castanhos e o sol só me permitirá passear entre sombras... Bom, começámos o último E E com a apresentação da Mariana Lemos. Para ela é muito importante a relação entre a música e o movimento. A forma de dança que ela tem vindo a explorar em relação com a investigação de movimento próprio, a chamada "dança do ventre", tem sempre revelado uma conexão muito clara na integração das duas áreas artísticas. Falou-nos de um percussionista egípcio que até estaría agora mesmo em Potugal (sobre o qual eu, por ignorância, não me atrevo a escrever nem o nome...) que tem a particularidade de improvisar numa relação directa músico/bailarina, avolumando assim o aspecto da criação conjunta em lugar do "acompanhamento sonoro" que me parece infelizmente bem mais comum... Pessoalmente custa-me muito assistir a este tipo de dança sem me enclausurar numa série de clichés tipo 007 e as suas queridas! aliás confesso que foi essa deficiência que me desafiou a integrar essa disciplina no interior do trabalho de fundo do c.e.m.! Gostei muito da coragem da Mariana e foi muito evidente para todos que é exactamente no desenvolvimento deste trabalho que se revela o volume da sua dança com uma energia inesgotável! Ao público que se manifestou na conversa final não fazia falta nenhuma o lenço de medalhinhas à volta da cintura (de facto ela até dançou um "encore" sem lenço a nosso pedido) e fiquei muito feliz quando a Mariana nos contou que o tal improvisador egípcio proibía qualquer tipo de enfeites enquanto trabalhava com a bailarina. Para a Mariana esse acessório ajuda na fisicalização do peso mas tenho a certeza que ela conseguirá vir a dançar com qualidade sem bengalas... A Luz Camara, que gostou bastante de a ver neste registo, dizia" aquele tremelicar parecia que vinha de dentro e fiquei mesmo esperando que ele atravessasse para fora. O teu umbigo ganhou um protagonismo fortíssimo." Na realidade surpreendeu-me ver muito menos o movimento da bacia e muito mais todo o espaço da cintura...o tal cilindro mágico entre as costelas e o pélvis que me tem vindo a encantar há uns aninhos. Quando eu perguntei se ela tinha a noção de como a expressão da sua cara era forte a Margarida Agostinho comentou:"Na cara espelhavas um prazer que no corpo ainda estava contido!" "È um prazer rasgado!" disse a Mariana no final...mas ainda fica muito por dançar, para lá dos limites, parecia que poderia durar sempre sem nunca terminar a força que permitia a dança. Gostava mesmo de a ver com um músico ao vivo. Penso que teria que ser mesmo uma coisa percussiva. Vamos ver! O segundo trabalho da noite foi uma improvisação minha. Foi excelente para mim poder performar e sentir que de facto estive mesmo lá, dançar é realmente uma forma de comunicar por excelência e que me equilibra muito na complexidade dos lugares que tenho que atravessar diariamente entre a investigação, a luta política, a clareza para a programação, as aulas, a criação, a prontidão, a relação com tanta gente que cruzo cada dia, o manter a minha casa limpa e acolhedora, respirar a cada momento o crescimento do meu filho André equilibrando os lugares diversos de ser criança/pessoa, entre as decisão e a reflexão, entre a acção e o silêncio...enfim, este ano resolvi que vou mesmo dançar e que já estava a tapar esta forma de estar há tempo demais! A Margarida Agostinho viu na dança exactamente a a calma na velocidade sem a impressão de uma urgência que invade muitas vezes a minha postura em situações de decisão complicada. Para mim pareceu-me mesmo que a minha dança ainda tem muito para me ensinar enquanto pessoa em relação, e eu quero aprender. À Maité(zona z) surprendeu-a que eu tivesse entrado no espaço já a investir sem tomar um tempo de chegar...para mim eu já estava a dançar há muito tempo, desde que escrevi o meu nome na folhinha do EE. Um comentário geral muito interessante foi a quantidade de pessoas que viram na minha dança (a Ainhoa, o André, a Andreia, o Nelson...) fiquei feliz que eles tivessem todos dançado comigo,,, no final convidei a Luz para vir tá ao fundo da sala comigo,,,não sei porquê, talvez seja a tal pergunta"o que é um solo?" O Terceiro trabalho da noite foi do Rui Chaves (estagiário no c.e.m), um trabalho de video projectado na capela onde agora trabalhamos o Pedras d'Água. "surgiu de um erro da câmara em adaptar do negro para a luz", dizia ele na conversa final," tirei 3 ou 4 vezes a imagem da lâmpada a acender e estendi o tempo da filmagem até aos 3m e 44s, de facto gostei que a Sofia me tivesse perguntado se tinha composto eu próprio...para mim é mesmo uma composição já que todo o trabalho está na edição." Para a Mariana quando a luz se acende no final do video ainda fica a memória do momento anterior...Na realidade todos nós falámos dessa imagem do filamento que continua ainda de olhos fechados, para o Rui é exactamente eese o motor da proposta. O humor e a simplicidade foram elementos feedbackados pela Luz. Um factor criticado por mim e pela Rita Teodoro, e de algum modo por todos nós, foi a falta de reflxão sobre a forma de apresentar o trabalho ao público, cá está uma proposta que necessita mesmo de ver cuidada essa zona. E cá está o novo desafio para o Rui: de que forma deve ser visto por nós o trabalho? para já parece-lhe ser a escala um dos lugares de investimento, então mãos à obra! O quarto trabalho da noite foi do Yann Gibert(zona z), a apresentação dele surgiu de improviso, e vei mesmo a calhar porque nessa manhã eu não tinha podido assistir ao seu ensaio e estava mesmoa precisar de observar a sua proposta! Surpreendeu-me a limpeza e foi muito positivo não ver nesta apresentação o "porque não" que me parece caracterizar bastante as propostas do Yann. Trata-se de um estudo de movimento sobre o impulso, "l'impulsibilté". Infelizmente ele não pôde ficar para a discussão por isso as nossas reflexões ficaram às vezes sem eco, mas pareceu-nos importante comentar na mesma já que este tipo de conversas tem sido tantas muito útil para nos situarmos em relação ao material de investigação... Surgiu bastante a palavra "rigidez" mas desta vez pareceu-me mais como uma opção de linguagem do que como uma revolta em relação "liquidez" do trabalho de release... a Luz salientou a necessidade de aprofundar mais as diensões do espaço "Por momentos pareceu-me mesmo que ele ía jogar com a relação entre o corpo e o espaço mas depois ele recuava..." A Maité comentou um factor muito interessante:"ele tem que ter mais ar dentro do movimento porque aguenta as pausas em situações que me parecem dolorosas mas que me parecem bem para ele..." esse "ar" parece-me a mim uma qualidade fundamental!Aliás acho que se já ultrapassámos a zona do desconforto do movimento só para provocar o público há que investir profundamente na precisão das escolhas, no recorte da imagem, e , também, nas ligeiras "saídas" à simetria imposta (como talvez uma ligeira respiração nas mãos, uma saída para lá dos metros quadrados de actuação, um "rasgar" na direcção do público...mas algo subtil) A Rita T. ainda acrescentou movimentos específicos onde o Yann perdia mesmo a clareza da proposta como em algumas flexões laterais demasiado cingidas ao vocabulário da "técnica Cunnigham"ou em acções dos membros em que se ouvia a articulação em desconforto... Sei que será um solo longo (cerca de 45m) com diversas partes e agradou-me bastante reconhecer trabalho na apresentação dessa noite...agora é continuar... A última proposta foi outro "espontâneo" a Rafaela Covas(zona z) pediu-nos `no último segundo para aguardarmos mais um tempinho antes da conversa, e ...dançou... "Muito sincera" dizia a Rita T"Realmente estiveste no espaço como o Yann não chegou a estar...fiquei feliz de ver o trabalho que desnvolvemos na formação intensiva a ecoar aqui"dizia a Luz. O Agostinho Vaz Martins sugeriu que a Rafa trabalhasse com o Yann pois era evidente a relação de trabalho dos dois. Foi comum a sensação de haver ali algo de importante que estava na altura de agarrar com confiança. "Não era aquele lugar de representar ou de deitar coisas para fora que é tão comum em ti"dizia ainda a Ritinha"é outra coisa, talvez escutar a Rafa..." Para a Rafaela houve realmente pequenos momentos em que valeu mesmo a pena "Podia não ser nada mas para mim foi importante aceitar que tinha a coragem de fazer isto!" E foi assim que chegámos ao fim deste "relato" vou ainda a tempo de ver o pôr do sol, tenho o meu filho ANdré a trepar pelas escadas para irmos juntos, até já sofia # Sexta-feira, Março 17, 2006 ( 4:02 PM ) CEM ESPAÇO EXPERIMENTAL DE 9.3.06 Diana Mota Neste dia houve duas apresentações. Uma dança da Ainhoa e um vídeo do Alex. 1) Ainhoa Vidal A Ainhoa mostrou-nos uma dança curta, no estúdio. Ficámos a ver perto. Gostei muito. Para mim foi a imagem simples e bela do prazer e da vontade de dançar e de brincar com isso e com quem está a ver. Em sítios e linhas limitados no espaço e em constante mutação e movimento, nunca nada igual, mesmo como a tal brincadeira. Ela não quis falar sobre o trabalho, preferiu ouvir. O Agostinho Martins disse que a dança lhe tinha feito lembrar um personagem que se apresenta e conta a sua história. E disse que tinha gostado muito disso. A Laura Bañuelos perguntou o porquê do sorriso, que esteve presente quase permanentemente e que lhe chegou a parecer quase imposto, como uma estratégia ou um ponto de partida. Quis saber se o era . A Ainhoa disse que já vinha com esse sorriso, que ele estava lá, que estava bem disposta. Também disse que já andava com vontade de dançar há semanas e foi só isso que quis fazer. A Mariana Lemos comentou por momentos ter visto crianças índias da Amazónia a brincar, crianças como o Curupira, que tinha os pés virados para trás. Eu falei também do sorriso e de como tinha havido, para mim, cambiantes na presença quando ele tinha desaparecido. A Ainhoa disse que não estava à procura de nada relacionado com a presença nesta apresentação, era apenas o dançar. 2) Alex O Alex mostrou-nos um vídeo com duas partes, uma no barco da Amazónia e a outra no Variedades. Foi projectado no tecto da capela e ficámos a ver todos deitados no chão, de barriga para cima. A Margarida Agostinho achou que ganhou muito em ser projectado no tecto porque parecia um sonho. A Laura Bañuelos falou da parte do Variedades e disse que via duas partes separadas, uma até entrar o isqueiro que mostra o piano e a outra, a partir daí, que perde de alguma forma a eficácia mas faz aparecer algo de novo, que é muito bonito. A Ainhoa Vidal comentou que gostou muito das mudanças de som na Amazónia. O Rui Chaves achou muito bonito um momento em que é mostrada uma fresta no barco da Amazónia, através da qual olhamos, como se fosse uma passagem para a realidade, que nunca nos é totalmente mostrada. A Dora Vicente sentiu um contraste quase agressivo entre o som e a imagem, também na parte do barco. Também disse que se via um bocado do verde, queria-se ver mais e não nos deixavam. A Ainhoa falou de a situação na Amazónia ser agressiva, violenta. O Alex disse que todo o som ali é feito pelo homem/pelo barco. Se o motor se desligasse só ficava o silêncio. O Pedro perguntou qual era a ideia com a alteração do som, se era manipulado pondo só agudos ou só graves. O Alex disse que o som era sempre o mesmo mas tinha mexido com camadas diferentes dentro dele. Acabou o Espaço Experimental e quem quis e pôde foi até à Rua Augusta, registar quem passa àquela hora (23.30) e jogar badmington, a curtir a Baixa e olhar através do projecto Pedras d'Água. # Segunda-feira, Março 06, 2006 ( 6:07 PM ) CEM Notícias do último Espaço Experimental: Tivemos 3 apresentações essa noite e todas off the track!!!!!!!!!!a Mara MCcann, a Cinira Macedo e a Diana Mota trouxeram-nos trabalhos em fase inquestionável de dúvida! Sobre a apresentação da Mara fiquei cheia de perguntas se realmente ela queria despir a bidimensionalidade inscrita na sua forma de performar, se queria contrastar uma cena soap americana com o desavontade de dois intervenientes que não são actores e que seguiam indicações extremamente rígidas dadas pela Mara deixando-me entre a desaprovação à falta de apoio humano que ela lhes tinha dado e o sabor curioso da absurdice criada. Lá vêm aquelas malditas perguntas sobre a 4ª parede e a relação público cena…Na conversa final a Mara diz que, em vez de artista, se apresenta como cientista, que gosta de criar um espaço para o jogo. “Is this about you’”perguntava a Ainhoa Vidal. “It’s about things that come to me in diferent ways”dizia a Mara. Pois é mesmo nesse lugar de clivagem entre a pessoa e a “personagem” que eu acho que a Mara tem que trabalhar, vai ter que escolher se vai ou se fica…se abre ou fecha…se quer franquear a barreira entre ela e ela própria enquanto comunica em performance ou se quer guardar o seu lugar safe de artista…Para mim muito mais volume tiveram os convidados Joana Ribeiro e Manuel Correia, um contando histórias e outro jogando às cartas…se bem que se mantiveram sempre apertados no menu de hipóteses que julgavam ser as regras do jogo… Bom, passemos a outra proposta: A Cinira (Zona Z) está a trabalhar a água. Nessa noite tornou-se evidente que também ela vai ter que esclarecer o foco que pretende desenvolver, o trabalho sobre o “ovo” continua a aparecer com insistência mas para mim nem é tanto o “ovo” mas o lugar brutal em que ela se coloca em relação ao observador quando se sente a perder o contorno da acção! Para a Mariana Lemos é evidente o material quando a Cinira recorre a linhas assimétricas, à cristalização. Para o Rui Chaves “havia uma interioridade que nunca rebentava”. A Rira Teodoro achou que a proposta estava bem “instalada” no início mas que foi caindo para dentro da Cinira. Eu penso que o silêncio e a lentidão que ela trabalha com facilidade não devem ser tratados como formas de performar mas como qualidades intrínsecas e que, para isso, têm que conter em si o potencial volumoso dos seus opostos. Veremos! Por fim “dançou” a Diana. “Eu achava há mito tempo que devia fazer qualquer coisa no espaço experimental.-dizia ela-Tenho andado a escrever muito e pensei mesmo que era o momento. Pensei na sede e na fome…às tantas comecei a sentir que estava a forçar, não queria nada muito bonito e hoje, uma hora antes de vir para cá, relaxei e pensei…vou simplesmente estar lá! Como pensei que ía ter fome trouxe um pão.” E assim foi, ela entrou com um pão num saco de papel e esteve à procura de um lugar para o deixar…depois parou a olhar para as pessoas para ver como se sentia. A Rita Teodoro disse que quando ela parou com a mão na barriga viu passar todo o seu dia e todo o dia das pessoas que ali estavam:”fiquei mesmo a guardar aquele momento porque viemos todos de sítios tão diferentes…se o teu interesse é comunicar comunicas a toda a hora.” A Joana que actuou com a Mara comentou ter visto gravidez e terra (talvez Terra). Eu vi olhos que viam muitas coisas e fiquei com vontade de começar a trabalhar mesmo com a Diana. Lá estou eu com estas ideias do Corpo e da Arte mas acho que a experiência e a visão sócio/política que a Diana tem aliadas ao movimento profundo do corpo vivo…não sei, parece-me que vai dar frutos! “quando terminaste estavas calma?”perguntava a Ainhoa. “estava quase calma…”respondeu ela # Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006 ( 11:06 PM ) CEM O espaço experimental de 9 de fevereiro trouxe de volta ao c.e.m os fotógrafos que trabalham com o Luís Rocha. A Mariana Lemos e a Cinira Macedo criaram a primeira situação performativa com o propósito de estabelecer uma interacção entre o movimento e a fotografia. Foi uma experiência importante tanto para elas que ainda não tinham tido a oportunidade de dançar em relação com fotógrafos como para o grupo de fotografia que ainda estava numa fase muito inicial de experiência “acabámos a parte técnica e vamos agora passar para o corpo nu”dizia-nos o Luís Rocha. Para ele, que se encanta com o “cenário vivo” que a rua proporciona, com a ligação entre os carros e os ferros dos andaimes, foi muito evidente a barreira que ainda existe entre o “lado de cá” e o “lado de lá”. Uma das pessoas do grupo de fotógrafos dizia ser essencial ver primeiro o que se vai fotografar…“Foi muito bom ver de fora”dizia o Luís “A dificuldade de ir para dentro da situação depende muito de ti e da tua relação com a fotografia. A Mariana comentava que sentiu muita “desfocagem” em relação à percepção do movimento, a Cinira falava da importância da sensação do volume que se criava entre as pessoas. De facto a Ainhoa no final ficou com a pergunta “conseguiram performar?”. Eu não pude deixar de apreciar a situação enquanto experiência… mesmo que muito básica …fico sempre muito curiosa com a forma como a pessoa resolve uma situação nova! quanto aos fotógrafos gostaria que abrissem a generosidade de considerar que são pessoas vivas que eles estão a fotografar e não algo inanimado…se é que existe a inanimação …( e sei pela minha experiência com o Luís que esse salto é possível…), quanto à Mariana e à Cinira gostaria que desenvolvessem a clareza da definição do movimento para lá do “movimento potencial” trabalhado no corpo. A pertinência de determinada dinâmica ou linguagem em relação ao momento, à respiração individual e colectiva e ao lugar. Penso que para além do jogo com as pessoas com acessórios de imagem existe a sensação de “framar” um momento, de que forma ecoa no corpo?….isso do momento em volume está a interessar-me muito mesmo, estamos agora a trabalhar com um grupo de pessoas invisuais com o Luís e outros profissionais de fotografia e realmente o meu conhecimento de imagem/toque está a crescer…só um aparte… Diverti-me imenso com as lanternas na rua à noite e ainda foi mais engraçado quando voltámos para o interior deixar-me brincar entre o pequeno toque de luz, a dança e as escolhas dos fotógrafos. Veremos se a situação de desenvolve. A segunda proposta da noite foi da Rita Teodoro que trabalhou essencialmente o “momento antes”. A Rita está agora a fazer apresentações públicas semanalmente e muitas vezes a qualidade do momento que antecede o espectáculo é muito duvidosa. Conseguir encontrar sítios em si própria onde se torna possível sintonizar com a comunicação ao público é agora o seu investimento prioritário. Para mim foi de facto um trabalho onde a experiência era o acarinhamento da sua própria presença face a nós. Não senti a Rita com a densidade que já vi dançar, vi mais um monte de perguntas sobre acreditar de facto no momento do movimento, tenho que acompanhar mais um pouco para perceber onde vai esta nova experiência. Por fim tivemos a apresentação da Sara Jaleco e da Juliana Adur( as duas a terminar a FIacompanhada)…se é dia de “apartes” tenho que apartar que tenho saudades da Sara e que espero voltar a vê-la um dia breve…. “O desenho foi uma das primeiras coisas que surgiram porque apareceu com o trabalho de imagem que desenvolvemos com a Inês Oliveira”dizia a Juliana na conversa final”projectámos as imagens do corpo no espaço da Capela e contornámos o espaço entre elas. Desde esse dia eu e a Sara ficámos com vontade de trabalhar o espaço entre os corpos em movimento.” “trabalhámos as linhas de transição entre o quase toque e a distância”dizia a Sara”misturei a tensão que sentia entre nós e o volume que aparecia na sala” Quando a Laura Bañuelos observou que a sua expressão facial estava muito congelada, especialmente no susto dos olhos e da boca, a Sara falou uma coisa que me pareceu muito bonita e que me deu uma visão quanto ao futuro investimento no processo de trabalho dela.”Em momentos em que me permito som essa tensão desaparece…ainda não integrei essa zona em mim” Curiosamente uma questão que apareceu na conversa foi exactamente o som das máquinas fotográficas que, segundo as performers se integrou perfeitamente, mas que o Luís considerou muito pouco sensível… O Agostinho Vaz Martins comentou que as luzes tinham resultado brilhantemente. A maior fragilidade da proposta foi a transição do movimento para o desenho em carvão. Houve ali uma grande falta de confiança na escuta do momento para evoluir para o traço. “O meu movimento interno estava muito acelerado..isso me dá muita tendência para o distanciamento”dizia a Juliana. Eu penso que também contribuiu para esses desprendimentos momentâneos o facto da Juliana ainda não ter tido a oportunidade de performar no Espaço Experimental…parece fácil para quem trabalha connosco regularmente mas a mudança mágica de um lugar de investigação para a noite de comunicação pública…sendo o mesmo espaço físico… cria realmente um lugar muito diferente!!! Bom até já que o espaço experimental de hoje à noite começa dentro de um minuto. # Terça-feira, Janeiro 24, 2006 ( 10:54 AM ) CEM O Espaço Experimental foi desta vez mais duro nos feedbacks…no merci!!!! Só apresentaram trabalho as pessoas da Fia e a nossa Ainhoa Vidal, de volta do Brasil, não suavizou as suas opiniões e foi muito clara na afirmação de que falta um enorme caminho para a definição de um caminho realmente sincero e próprio. Pessoalmente continuo a ver evolução e, relativamente ao tempo TEMPO TEMPOOO, de cada um o crescimento vai escrevendo o seu rumo…mas não posso deixar de concordar com a Ainhoa… A primeira apresentação da noite foi uma improvisação da Maité, da Sara, da Rafa e da Yenny. Dizia a Sara na conversa final que têm dançado muitas vezes juntas no trabalho com o Peter e que estavam muito curiosas em testar como isso seria no E.E.. “Falta-me muita coisa…não sei o que tenho para oferecer”dizia a Rafa. A Ainhoa comentou que a distância entre o movimento e a vida era brutal em todas menos, talvez, na Yenny onde já se desenhava uma história pessoal que abre o seu movimento. Para a Sara esse comentário fez todo o sentido, “tenho estado estes dias com uma pequenina morte” Na minha perspectiva o olhar é um dos lugares espelho da presença na presença. Custa-me ver os olhos a fugir ao espaço e às pessoas…a Maité dizia no final que não lhe agradava nada ter que fazer esse movimento “para fora” porque lhe parecia muito falso…claro que eu não falava de fulminar o publico com os olhos….é essa forma de estar entre o interior e o exterior que me parece essencial que sejam uma só… talvez o tempo ajude! (já percebi que hoje é dia de reticências…seja…) “É uma diferença brutal entre o trabalho desenvolvido numa sessão orientada e a apresentação num E.E.”acrescentou a Maité”torna-se muito difícil conectar com o corpo” A Rita Teodoro realçou que o “comboio” de asneiras que a Maité começou a dizer no final da impro deveria ter-se prolongado mais tempo. Trazia a situação para o momento real. “Estive a seguir-me a mim própria, poderia ter ficado 5 horas com a vossa improvisação” dizia a Margarida Agostinho”havia uma interalimentação muito curiosa” “Eu não ficava nada as 5 horas!”interrompeu a Ainhoa. “Vi mais preocupação com a relação entre vocês do que a preocupação com as pessoas que estavam na sala, preocupação em dar, muita despreocupação pelo mundo!” Neste momento o grosso das pessoas da FIa justificou a sua “ausência” com a falta de conteúdo que sentiam naquele momento pronto a ser comunicado. “Mas quando performas abres imenso, o corpo dissolve-se, o TU é muito mais amplo”dizia ainda a Ainhoa. O Alex acrescentou que se não tens nada para dar poderias pôr-te em posição de receber…é essa visão mais ampla, que vai para lá de ti que me faz pensar que somos mesmo pequeninos organismos parte de algo vivo e grande e que se não nos perdermos em nós próprios, na tal “pena de mim” que a Amália cantava, abrem-se sempre outras possibilidades e tudo se começa a ligar. O Alex chama-lhe “sinceridade”. Quanto ao segundo trabalho da noite, a Manuela trouxe-nos uma improvisação sobre a velhice. Vinha cheia de “berlindes no bolso”(adereços para poder fugir da falta de capacidade de resolver o momento presente) e acabou por se encher de coragem e dançar só com o corpo desta vez. O tema do dia surgiu numa conversa comigo como um desafio que me parece importante que ela persiga um tempo…De facto sentia que a Manuela estava de novo a refugiar-se nos modus operandis seguros e a perder a insistência de investigar em si. “Aprendeste algo de novo?”perguntava a Ainhoa “Aconteceu algo de novo?” “Acho que…RASGAR… eu não queria mostrar a pele e dei comigo a puxar a roupa.”dizia a Manuela muito comovida “apareceu uma avó que eu não conheço” “Instalaste um tempo muito bonito!” comentou serenamente a Ainhoa. De vez em quando esse tempo era atravessado por movimentos que não eram daí…nascia um desajuste feito de coisas impostas por ela que não escutavam o seu cabimento no momento criado, penso eu. Para a Manuela foi um grande desafio pois nunca esteve junto da velhice e encontrá-la viva em si própria foi uma aventura. A Márcia Santos que veio assistir a este E.E. estava muito feliz por ter presenciado a estas dúvidas todas, ao nascimento de mais dúvidas…como numa viagem corpo fora:”Contagiou-me, apetecia-me estar dentro” Bom, vemo-nos no próximo Espaço Experimental, dia 26. # Quinta-feira, Dezembro 29, 2005 ( 1:43 PM ) CEM Cá vamos para o último Espaço Experimental do ano!!!!!!!!!! Foi uma noite caseira como há muito tempo não era! Estávamos poucos, bons, e um bocadinho estoirados…tinha sido um dia intenso com a festa de Natal das crianças das 3 às 6 da tarde, a conversa com os escritores “Lisboa ao correr da pena” das 7 às 8 e meia e o espaço Experimental das 10 à meia noite…muitas actividades especiais para além das intensas actividades regulares. Mas adiante. Começámos com um trio maravilhoso: Nelson Moniz, Rita Teodoro e Tatiana Perron. (O Nelson é um performer muito especial que trabalha regularmente connosco na área “movimentos em corpos”. Tem paralisia cerebral, é actor e escritor e é das poucas pessoas em cadeira de rodas que se move sozinho por Lisboa.) Começaram os 3 juntos no chão e foram-se movendo devagar com uma fluidez muito intensa. Para a Diana Mota a relação estabelecia-se entre as mãos, os pés e a expressão facial. A Rita Meneses (que ía apresentar uma fase do seu solo mas teve que passar para outro dia devido a uma lesão) comentou que gostaria de ter tido mais cinco minutos com o trabalho. “muito orgânico e aquático”. A Mariana Lemos acrescentou que as diferentes formas de estar de cada um tinha impresso um volume muito especial ao trio. A Margarida Agostinho disse que enquanto o trio se instalava era impossível perceber que o Nelson se movia de maneira diferente…para mim isso é uma conquista grande porque todo o trabalho que temos feito se centra no toque (hands on “hands in”) e na sensibilidade do movimento encorajando as qualidades de fluidez, ligação, suavidade e desenvolvendo a relação entre o plano chão e o plano médio. Veremos no que isto vai dar!!! Em seguida espalhámo-nos pelo espaço e escutámos um dos novos trabalhos do André Castro. O que nos trouxe desta vez foram estudos propostos pela Faculdade de Sonic Arts em Inglaterra. A primeira proposta para feedback foi uma peça de sonoplastia, de desenho de som. O processo passou pela pesquisa de som para cinema. “A ideia começou a girar à volta de pôr o texto em som, da radionovela, dos livros áudio.”contou o André na conversa final .”Procurei texto e acabei por encontrar um livro de Sophie Calle, uma história de perseguição!” Segundo ele foi interessante apanhar a paisagem sonora de Veneza sem ir a Veneza. “Fez-me descobrir os canais de Londres, é lindíssimo encontrar na água miúdos a brincar com Kaiaks.” “O trabalho teve muito pouca edição. O texto seguiu a direito e foi só escolher os sons” Para o André era importante que o ouvinte se envolvesse na narrativa mas eu só vi cinzentos chumbo como quem assistisse a algo de longe, e não me liguei de todo ás palavras… Já no final da discussão a Rita Teodoro comentou ter ficado com a sensação de uma rapariga em movimento com um bloco de notas. A Diana Mota agradeceu não haver imagem pois o próprio som já emprestava muita plasticidade ao trabalho embora detectasse zonas de corte que a distraíam e incomodavam e a Rita Meneses elogiou o final cheio de suspense... Talvez esta seja a abertura para os próximos “filmes sem imagem” do André Castro… Seguiu-se o trabalho da Cinira Macedo: “está ainda muito no princípio, tenho estado a estudar a água e o gelo e estive a dançar a densidade, a fluidez e muita pele.” Ela dançou em silêncio e no final lançou um som suave e muito agudo que não se percebia que vinha dela…o Nelson Moniz ficou mesmo encantado com aquele som que não se sabia de onde vinha. “É muito anjo!”comentou a Tatiana Perron. “Tive mesmo muito a imagem de gelo enquanto dançavas”disse a Dora Vicente. A Rita T. lamentou que o movimento que estava a surgir no final, e que lhe parecia algo novo e especial, tivesse sido cortado brutalmente e acrescentou ter visto crescer as unhas durante a dança…bom…lá que a Cinira deixou uma estranheza no ar… O André ficou fascinado com a forma como a Cinira usa o tempo “Se estivesse no teu lugar estaria aflito com medo de dar uma seca às pessoas…torna-se mesmo interessante!” No final do feedback a Diana usou uma palavra discretizar “para fazeres uma linha”disse ela “vens connosco em cada momento dessa linha. Vais sempre estar com o tempo que cada momento te demora” A Mariana Lemos comentou que poderia haver mais atrevimento. Eu continuo a acompanhar este desenvolvimento, observando-o à medida que toma vida própria e se afasta da proposta do ano passado. Sinto o fervilhar da voz! Estou muito curiosa com este solo! O último trabalho da noite desdobrou-se em duas outras peças do André Castro, a primeira com processamentos digitais e a segunda utilizando técnicas de estúdio sem recurso ao computador. Na primeira conta-nos ele que “estava a ler um livro de futuristas e começou a aparecer-me um enjoo descomunal!...comecei a fazer sons. Estava a trabalhar sobre gesto e textura., como transformar um no outro…” A Rita T. comentou que no primeiro trabalho viu corridas de cavalos e que no segundo trecho viu linhas e mapas “ O intervalo entre a primeira e a segunda composição foi para mim um momento rigoroso de silêncio…imagino que seja só o espaço entre os dois trabalhos mas dei comigo a pensar que o André estava mesmo a trabalhar o silêncio!” A noite já ía avançada e cada um de nós já tinha 3 ou 4 pares de olhos em cascata…antes de nos levantarmos para arrumar a “casa” e ir embora a Tatiana ainda disse “Fiquei com muita vontade de dançar com a sua música!” É isso! Sempre em movimento! E com esta tirada um bocado pirosa e de que muito me orgulho termino o relato do último Espaço Experimental do ano de 2005 convidando-o A SI (outra tirada pirosa, é da época natalícia...) a estar connosco no primeiro encontro E.E. do ano dia 12 de Janeiro ás 22 horas. BOM ANO!!!! # Quinta-feira, Dezembro 15, 2005 ( 12:47 PM ) CEM Pois agora vamos conversar sobre as outras 3 apresentações do último espaço experimental , se quiser saber sobre as primeiras siga mais para a frente porque essa parte da história já seguiu no outro dia: O terceiro trabalho da noite foi da Cinira Macedo. Um solo muito sereno que a Graça Passos considerou muito bonito “não era preciso som, parecia-me mesmo o silêncio”. Para o Rui Chaves, que aliás elogiou o evento em si pela “sua importância no desenvolvimento de processos artísticos”, a Cinira fez um trabalho sobre a atenção. Aische Schwarz comentou no final que o trabalho tinha tido momentos muito fortes, principalmente quando a Cinira estava de pé, e que ela podia confiar mais na sua presença “gosto muito dela , é muito autêntica”. Para mim senti essa volatilidade, essa beleza leve e forte na dança da Cinira. No entanto, enquanto ela dançava, ocorreu-me muitas vezes a ausência do rasgo que sei que ela tem nela. Apareceu no início do uso da voz que ela experimentou no final. Queria muito ver se aquele som se tivesse atrevido a ocupar mais espaço e mais tempo…. A quarta proposta da noite foi da Manuela Marques (FIa) e da Sara Jaleco (FIa), um momento muito bem disposto “um sentido de humor fantástico”(comentou a Graça Passos) . A introdução do vídeo no início foi quase unanimemente comentada como uma má escolha que não acrescentava nada ao dueto embora o facto de elas estarem em “pausa” enquanto passavam as imagens tivesse tido o seu interesse. Pessoalmente gostei do vídeo porque o entendi como um documento do processo e não como um recurso estético para abrilhantar a proposta. Para o Agostinho Vaz Martins a combinação das cores das roupas estava excelente e a coordenação dos movimentos das duas performers estava muito equilibrada “há um ritmo curioso na cadência entre a pausa e o movimento”. A Sara Aguiar achou os trabalhos muito diversificados e gostou particularmente da linguagem frenética da Sara e da Manuela, comentou também que o início em que elas olhavam para o público sem se movimentarem fez de nós performers e que isso tinha sido engraçado. Para mim o dueto foi surpreendentemente, achei o movimento muito limpo, a imagem das duas bem tratada, os olhos da Manuela mais calmos e presentes no momento presente. Gostava que o trabalho fosse desenvolvido, acho mesmo que tem potencial! Veremos! E chegamos ao último trabalho da noite!!!!!!!!!!! Um trio de Verónica Fabrini(actriz), Silas Neto(músico) e Peter Michael Dietz (performer). Para a maioria das pessoas presentes era evidente o profissionalismo dos 3 na forma como interagiam. Para a Aische “it was funny, i had to laugh, it was a good use of space and time”, para a Mónica Lopes o Peter parecia mesmo um cavalo. A Rita Teodoro comentou que estava muito ilustrativo e o Agostinho elogiou o “elevado nível” de presença do corpo teatral da Verónica da perícia do movimento do Peter e da oportunidade do som do Silas. Para mim foi excelente ver o Peter em cena, é sempre bom ver dançar bem (que lugar comum…mas é sincero!) a força da Verónica já tinha sido “apresentada” num outro espaço experimental e, embora concorde com a harmonia que o trio desenvolveu, confesso que me apetecia ter assistido a mais atrevimento. Sei que qualquer um deles poderia ter brincado mais com o facto de estarem os três juntos e de nos terem ali completamente receptivos. Os corpos estavam muito cuidadosamente correctos na forma como se articulavam no espaço e, salvo uma saída final na direcção do publico, toda a performance se manteve safe. BOM por hoje é tudo deste lado de cá mas LOGO À NOITE HÁ ESPAÇO EXPERIMENTAL PORQUE RESOLVEMOS APRESSAR O ULTIMO ESPAÇO EXPERIMENTAL DA NOITE E APROVEITAR O ACTO DE AINDA ESTARMOS MUITOS POR CÁ ANTES DA INVASÃO NATALÍCIA. Até logo ás 22h Sofia Pois cá estamos para mais uma “viagem” ao espaço Experimental de ontem, o penúltimo do ano…(curiosamente “viagem” foi o comentário de uma das pessoas do público de ontem, o Luís Relógio).Foi uma noite tão densa que as apresentações só acabaram quase mesmo á meia noite e já não conseguimos entrar feedbacks fora…não fazer a conversa final soa um bocadinho a fácil…parece que assim o espaço experimental fica mais seguro e“agradável”…parece que hoje é o dia das “aspas”…e das reticências…No final da noite recolhi feedbacks de pessoas do público que integrarei neste relato, deixo em aberto que qualquer um de vós que tenha estado presente envie os seus pensamentos aqui para o CEM porque são sempre tesouros incríveis para quem coloca trabalho a discussão. Cá vai:Estava muita gente e muitos nervos pelo ar.A primeira apresentação foi o mergulho número um do trabalho da Rita Teodoro sobre a lenda do Minotauro com a colaboração da Mariana Lemos e do Bernardo Marques DJ. O primeiro sopro estava confiante e agarrado, o som já estava instalado, as duas figuras dançantes vestidas de branco com um figurino de fibra de vidro que a Graça Passos considerou muito agressivo e o Agostinho Vaz Martins deu como fabuloso pela simplicidade e pertinência(aliás esta foi uma apresentação que ele apreciou especialmente não só pela forma de dançar da Rita, que considera muito interessante, como pela coordenação dos 3 intervenientes levando a crer que os uníssonos som dança seriam propositados e estudados com rigor).Para Aische Schwarz não ficou nada clara a relação entre as figuras e a musica( ou o músico), também a confundiu a gestualidade desenvolvida que considera mista e imprecisa “preferia que decidissem ser mesmo mais crazy e levar as expressões faciais ao limite ou então escolher uma forma mais neutra” Segundo ela as emoções poderiam estar mais presentes no corpo. Quanto aos figurinos levantaram para Aische uma estranheza, não eram lá muito humanos mas até eram.Outro comentário curioso que ela fez em relação ao global das apresentações é que de maneira geral não tinham um fim definido e isso “destroyed the end”A minha opinião é que este pontapé de saída foi essencial para o lançamento do trabalho e só por isso foi muito bom terem tido a coragem de o pôr ao léu. O Bernardo estava muito nervoso no início…é engraçado como uma pessoa que põe música regularmente em espaços públicos fica tão sensível a este tipo de confronto com o público…se calhar nem devia dizer isto porque uma apresentação tão despida com o público praticamente ao teu colo é sempre um desafio…Penso também que me fiquei calmamente pela primeira respiração. Aí estava tudo pronto para andar, o desenvolver da peça desnudou muita insegurança, muita rigidez numa estratégia pré desenhada que se adivinhava, muito desconhecimento quanto ao território ocupado por cada um. Também me espantou a indefinição da Mariana que não baixou as guardas por um segundo jogando com os lugares seguros como se estivesse sempre a perguntar: e agora? Vamos por aqui? Mas foi um espanto bonito porque me fez sentir de facto que era o lugar menos um e enchem-se-me os olhos de velocidade por ter o prazer de ir acompanhar a construção deste trabalho!!!!vamos embora!!!!!O segundo trabalho da noite foi da Maité Castro (Fia). Dançou os rins. Segundo o Luís Relógio foi o melhor momento. Uma dança muito biológica.Com um saco em forma de rim cheio de um líquido duvidoso insistentemente amarelo urina…Para a Graça Passos o trabalho foi interessante mas a Maité estava muito insegura. Para a Aische essa falta de confiança revelava-se quando ela olhava e sorria para as pessoas que conhecia…de facto as dores da Maité são transparentes e não posso deixar de achar que a tal pedra no rim tem algo a ver com a tal falta de confiança…Foi um trabalho corajoso e necessário. Muito preciso nas acções, talvez descritivo demais no sentido de não deixar espaço nenhum para um momento mais solto. O espectador foi todo o tempo conduzido ao milímetro. No chão estava um A3 com a descrição dos sintomas e da forma de estar que a Maité estava a escolher para lidar com este desconforto.Tenho muita curiosidade de ir seguindo as comunicações performativas da Maité, deixam-me sempre um desajuste engraçado e desconcertante.Bom, por agora vou deixar-vos e vou dançar um pouco, continuarei esta história mais tarde. Até já sofia # Sexta-feira, Dezembro 09, 2005 ( 11:38 AM ) CEM Pois cá estamos para mais uma “viagem” ao espaço Experimental de ontem, o penúltimo do ano…(curiosamente “viagem” foi o comentário de uma das pessoas do público de ontem, o Luís Relógio). Foi uma noite tão densa que as apresentações só acabaram quase mesmo á meia noite e já não conseguimos entrar feedbacks fora…não fazer a conversa final soa um bocadinho a fácil…parece que assim o espaço experimental fica mais seguro e“agradável”…parece que hoje é o dia das “aspas”…e das reticências… No final da noite recolhi feedbacks de pessoas do público que integrarei neste relato, deixo em aberto que qualquer um de vós que tenha estado presente envie os seus pensamentos aqui para o CEM porque são sempre tesouros incríveis para quem coloca trabalho a discussão. Cá vai: Estava muita gente e muitos nervos pelo ar. A primeira apresentação foi o mergulho número um do trabalho da Rita Teodoro sobre a lenda do Minotauro com a colaboração da Mariana Lemos e do Bernardo Marques DJ. O primeiro sopro estava confiante e agarrado, o som já estava instalado, as duas figuras dançantes vestidas de branco com um figurino de fibra de vidro que a Graça Passos considerou muito agressivo e o Agostinho Vaz Martins deu como fabuloso pela simplicidade e pertinência(aliás esta foi uma apresentação que ele apreciou especialmente não só pela forma de dançar da Rita, que considera muito interessante, como pela coordenação dos 3 intervenientes levando a crer que os uníssonos som dança seriam propositados e estudados com rigor). Para Aische Schwarz não ficou nada clara a relação entre as figuras e a musica( ou o músico), também a confundiu a gestualidade desenvolvida que considera mista e imprecisa “preferia que decidissem ser mesmo mais crazy e levar as expressões faciais ao limite ou então escolher uma forma mais neutra” Segundo ela as emoções poderiam estar mais presentes no corpo. Quanto aos figurinos levantaram para Aische uma estranheza, não eram lá muito humanos mas até eram. Outro comentário curioso que ela fez em relação ao global das apresentações é que de maneira geral não tinham um fim definido e isso “destroyed the end” A minha opinião é que este pontapé de saída foi essencial para o lançamento do trabalho e só por isso foi muito bom terem tido a coragem de o pôr ao léu. O Bernardo estava muito nervoso no início…é engraçado como uma pessoa que põe música regularmente em espaços públicos fica tão sensível a este tipo de confronto com o público…se calhar nem devia dizer isto porque uma apresentação tão despida com o público praticamente ao teu colo é sempre um desafio…Penso também que me fiquei calmamente pela primeira respiração. Aí estava tudo pronto para andar, o desenvolver da peça desnudou muita insegurança, muita rigidez numa estratégia pré desenhada que se adivinhava, muito desconhecimento quanto ao território ocupado por cada um. Também me espantou a indefinição da Mariana que não baixou as guardas por um segundo jogando com os lugares seguros como se estivesse sempre a perguntar: e agora? Vamos por aqui? Mas foi um espanto bonito porque me fez sentir de facto que era o lugar menos um e enchem-se-me os olhos de velocidade por ter o prazer de ir acompanhar a construção deste trabalho!!!!vamos embora!!!!! O segundo trabalho da noite foi da Maité Castro (Fia). Dançou os rins. Segundo o Luís Relógio foi o melhor momento. Uma dança muito biológica.Com um saco em forma de rim cheio de um líquido duvidoso insistentemente amarelo urina… Para a Graça Passos o trabalho foi interessante mas a Maité estava muito insegura. Para a Aische essa falta de confiança revelava-se quando ela olhava e sorria para as pessoas que conhecia…de facto as dores da Maité são transparentes e não posso deixar de achar que a tal pedra no rim tem algo a ver com a tal falta de confiança…Foi um trabalho corajoso e necessário. Muito preciso nas acções, talvez descritivo demais no sentido de não deixar espaço nenhum para um momento mais solto. O espectador foi todo o tempo conduzido ao milímetro. No chão estava um A3 com a descrição dos sintomas e da forma de estar que a Maité estava a escolher para lidar com este desconforto. Tenho muita curiosidade de ir seguindo as comunicações performativas da Maité, deixam-me sempre um desajuste engraçado e desconcertante. Bom, por agora vou deixar-vos e vou dançar um pouco, continuarei esta história mais tarde. Até já sofia # Segunda-feira, Novembro 28, 2005 ( 11:11 AM ) CEM “Bom dia” é sempre o início destes textos mas agora já é boa tarde…esta é a segunda parte do “relato” do espaço experimental de ontem, se quiser ler a primeira parte tem que ir lá à frente que isto nos blogs os últimos são sempre os primeiros. Pois foi o Yann Gibert (Fia) que apresentou o tal segundo trabalho. Um jarro de água fria e ele a tirar cubos de gelo um a um de um saco plástico. O som fascinou-me. E a presença do Yann? O corpo muito mais denso, mais compacto, menos espalhado no espaço…”my body is so clever yet i am a stupid monkey”…”I miss you but i can’t touch you anymore”,”no posso crer que estou sin tu” o texto ia ecoando no espaço com ele sentado, plástico na cabeça…senti-o tão perto de respirar, na conversa final falava de “ir de um ponto a outro”,da impossibilidade de completar essa tarefa, parece-me cada vez mais claramente que é essa impossibilidade que ele potencializa. A experiência enquanto modelo no AR.CO deixou-lhe a curiosidade de perguntar sobre a chegada a uma nova posição. A Rita Teodoro perguntou se era tudo improvisado. Os movimentos eram mas a estrutura estava preparada, contou-nos ele, surpreendeu-se grandemente com a dependência do ritmo da respiração imposto pelo saco enfiado na cabeça. A Rita Meneses comentou baixinho” depois de entornares a água fria pela cabeça tudo ficou mais digerido”. Dizia ele que o movimento mudou muito com o saco e sem o saco …associou à visão…o saco não deixava ver bem e isso descontornava-lhe as acções. (não me parece que fosse essa a razão…) Depois a Laura Bañuelos iniciou uma conversa com o Yann que abriu um momento precioso no Espaço Experimental: “Tens a tendência de pôr um fim para começar outra vez, isso é muito cansativo” devagarinho foi-se desenrolando a conversa, criou-se uma ambiência corajosa com o Yann e a Laura muito honestamente a continuar, acompanhados por todos nós, que tínhamos a consciência de presenciar algo especial. “tantos pontos de vista” e foi assim que acabou mais uma discussão. Até já! # Sexta-feira, Novembro 25, 2005 ( 11:33 AM ) CEM Bom dia, dormi tão pouco que não posso garantir que este olhar sobre o espaço experimental de ontem não se transforme num bocejo enramelado, veremos… para já aceito o desafio de ir conversando convosco com os olhos ainda quentes e as pontas dos dedos geladas da viagem de moto. Foi uma noite muito bonita, “deliciosa” como sugeriu a Rita Teodoro na conversa final quando feedbackavamos a apresentação da Laura Bañuelos com a Margarida Agostinho. Estávamos menos do que das últimas vezes, a Manuela Marques(FIa) apresentou o seu trabalho com o grupo de teatro no Taborda e muitos de nós foram lá bater palmas. Os que ficaram instalaram um sossego pouco usual nestas noites de mostras. O primeiro trabalho demorou quase meia hora para começar porque um cabo milagroso tinha ido milagrar para outro lado fazendo com que a ligação do computador ao projector de vídeo fosse só conceptual (“sin señal” e um enquadramento azul foram o pano de fundo) .O Romeu Ornelas guitarrista telefonou próximo da hora a cancelar a sua apresentação e a noite só previa então dois trabalhos: o primeiro e o segundo. E eu ia conversando com a Inês Oliveira sobre som e imagem enquanto a tecnologia empatava, à sombra de um chá com bolachinhas que a Dora Vicente tinha preparado para o público (muito simpaticamente como sempre). Lá pelas 22h e 30m entrámos no estúdio, uma cena caseira mesmo familiar, com cheiro a jantarinho de domingo…o sofá de veludo preto a Margarida Agostinho sentada a escrever no tal computador com a cara muito branca e serena e com um sorriso de quem está mesmo a inventar o momento no momento, a brincar, a “play” como diria a nossa Luz Câmara. A Laura sentada ao lado, ainda a chegar, ainda com meio cabo enguiçado no coração, foi-nos dizendo que podíamos sentar-nos ora nas cadeiras por trás do sofá (à frente do tal azul sin señal, e com possibilidade de ir espreitando o monitor onde crescia o texto da Margarida palavra a p a lla vrA), ora nas cadeiras em frente…estabeleceu-se assim uma regra que não vinha no menu inicial : curiosamente havia as mesmas cadeiras que pessoas no público, assim durante a apresentação quando alguém se levantava da cadeira, levantava-se logo outra do outro lado com uma cadência dinâmica que desenhava um burburinho entusiasmante, foi mesmo interessante. Encantou-me o ambiente íntimo onde todos os que ficassem atrás do sofá se tornavam instantaneamente íntimos também . A Laura levantou-se e dançou, foi dançando por entre a sua própria chegada e respirou três momentos de som que me deixaram fascinada…”la vaca” rasgou o ar com uma limpidez (“clareza” é a cor da semana e lá estava ela ) “encostadas uma á outra faziam muita força para não se separarem”…acho que eram as ervilhas que apareciam no texto da Margarida. Lugares onde a palavra crescia mesmo ali á nossa frente. Um momento luminoso da Laura quase em silêncio, com a garganta enrolada e a bata de flores a mudar de cor e o “acto não isolado de escrita” como a Rita T. teve a felicidade de comentar na conversa final. Momentos da palavra escrita que surgiram antes da palavra falada sem saber que se iam lançar na mesma forma. “Foi riquíssima a variação de expressões que eu tinha á minha frente…a experiência de fazer isto foi incrível”dizia a Margarida, “estava tudo novo” comentava a Laura. O Agostinho Vaz Martins ainda nos ofereceu uma das suas considerações (agora já brinca a perguntar se pode falar, tivemos que o cronometrar nos feedbacks…) reforçando uma sensação que tínhamos todos experienciado: o corpo atrás do computador não se distanciava de nós, ficava a pessoa. O segundo trabalho foi do Yann Gibert (FIa). Como ir de um ponto a outro. Mas sobre esse trabalho falarei já mais acordada………até já….. # Sexta-feira, Outubro 28, 2005 ( 9:17 AM ) CEM Cá estamos para mais uma visita ao que se passou no Espaço Experimental. Ontem foi uma noite de apresentação da Formação Intensiva acompanhada...o grupo de pessoas que está a desenvolver trabalho em profundidade no CEM partilhou ontem o material performativo surgido nas sessões orientadas pelo Peter Michael Dietz. Os temas em acção: "exaustão" e "sensualidade". Para a Verónica Fabrini(que mergulhou agora no trabalho de corpo do CEM) as apresentações pareciam HAIKUS com uma cadência sequencial que ia escrevendo o momento seguinte. Em relação à conversa final é curioso que mesmo no final o Peter tenha definido este momento como uma "execução" aos artistas... uma crítica dura a trabalhos que ainda estão em processo de evolução.Não posso concordar com esse tipo de leitura do momento de feedback que, por ser imediato, constitui um desafio tanto para o espectador como para quem apresenta. Dizia a Rita Teodoro que esse exercício também passa muito pelo lugar em que o artista se coloca quando recebe um feedback...foi interessante levantar esta questão(embora a noite já fosse avançada e o cansaço teimoso) Talvez comece a ser urgente reorganizar as conversas por tempos, veremos. A primeira situação : Maité Castro, Yann Gibert e uma planta (que fazia as vezes da Juliana Adur que não podia dançar) .Achei bastante interessante a proposta principalmente no equilíbrio entre a presença controlada dele, nu e contido, e a organicidade desconcertante da Maité .Fiquei com vontade de que o espaço de sonoridade criado fosse mais evidentemente uma zona de desmultiplicar o espaço físico de apresentação...mas é só uma ideia sem muita importância. A segunda proposta:Rita Teodoro e Rafaela Covas.As figura muito recortadas no espaço, vestidas de preto, apresentaram um dueto de 30 segundos repetido de diversos angulos diferentes. Na conversa final apareceu a vontade de ter saboreado mais o lugar no corpo que permitia começar de novo o momento. Foi também o que me pareceu, faltava-me esse momento antes que sustenta a repetição como um movimento e não como um fade out. Para a Rita a estrutura escolhida nunca seria uma escolha coreográfica mas curiosamente gostei bastante de vê-la ali... A terceira proposta:Melissa Rodrigues e Manuela Marques. Num espaço exíguo ligadas por um elástico umbigo a umbigo, entre a submissão e a sedução.Dizia a Rita na conversa final que o trabalho do dueto tinha contaminado as qualidades de cada uma oferecendo mais definição à Melissa e permitindo á Manuela deixar-se levar...horizontal e vertical, gostava de ter visto mais. A quarta proposta:A Yenni estava tão bonita...vi um risco na forma como a sensualidade estava presente, foi um momento precioso com a Sara quieta num universo diferente abrindo um dueto que o Agostinho V. Martins considerou uma relação de espelho, as duas pessoas numa só. Ficou a aptecer-me trabalhar movimento com a Sara, não me parece que o trabalho em si vá desenvolver-se mas pareceu-me um processo essencial para o caminho de cada uma delas. E assim foi a noite...cheia de aventuras e com a sala bastante cheia de publico, até á próxima, sofia # Segunda-feira, Outubro 24, 2005 ( 9:20 AM ) CEM Bom dia!!!!!!!!!bem vindos à nova temporada de Espaços Experimentais!No dia 13 de outubro tivemos o primeiro EE ...começamos com o Yann Gibert(Formação Intensiva Acompanhada) que desenvolveu 30 minutos do seu trabalho"peut-on rendre son sourire à la Gioconde?"(este é de facto o título de um texto de Jochen Gerz mas para já vou "roubar-lhe" o nome já que o Yann também tomou esse documento como base). Falou-nos de generosidade e outros lugares que ainda estão muito vagos. Escondeu as extremidades(as mãos, os pés, a cara e o pénis) trabalhou a exaustão correndo para trás e entrecortando as corridas com cenas que começou a trabalhar desde que está em Portugal embora a performance já tenha nascido em França há uns meses atrás. Para já parece que falta uma decisão...se avançar realmente para os lugares que propôs ou manter-se safe...veremos...fora 30 minutos,é ainda o pricípio! Em seguida veio a Rita Meneses com um solo escuro e extremamente dramático que se apresentou como uma primeira investida nesse lugar de discussão que é o EE. "Achei que me estava a acomodar e resolvi vir aqui uns dias...ver o que dá.."dizia ela na conversa final. Para a Luz Camara o que assistimos poderia bem ser uma cena de Lady Macbeth. Não me pareceu uma escuridão intencional mas vi qualquer coida que rondava a bruxaria...os olhos, as mãos, os cabelos caídos...estou curiosa para ver o próximo para começar a avolumar o "puzzle". Por fim a Mariana Lemos e a Cinira Macedo(zona z) ofereceram-nos um momento intenso de dueto sobre ECO O O O O. Sinto que está a nascer na Mariana uma selvajaria que me encanta. A Cinira tem um investimento no espaço muito poderoso a aparecer...em conversa com o Peter soube que esta forma de dueto já teria aparecido no trabalho da manhã com ele e isso do ECO tem sido uma insistência minha para este início de ano...só para dizer que em termos de construção não havia ainda nada para feedbackar e que nem me parece que venha a dar em dueto mas as qualidades de cada uma estão sem dúvida a deixar nascer algo novo!!!!!!!!!até amanhã para mais um Espaço Experimental, sofia # Sexta-feira, Julho 22, 2005 ( 9:47 AM ) CEM bom dia, depois de ter perdido o relatório do penultimo espaço experimental queria só assinalar que o o último espaço experimental da temporada foi ontem com uma mostra dos alunos dos cursos do Jacome Filipe, uma primeira investida do novo trabalho da Luz da Camara com a Júlia Pascoal, um trabalho de som do André Castro e uma primeira possibilidade da edição do novo filme Yangel desta vez da Patrícia com o Alex. foi uma noite muito agitada com muito público e muita animação ...tanta que nem deu para conversar no fim...ficou mais como uma festa ...assim que tiver um bocadinho e que a net não esteja a cair de 5 em 5 minutos escrevo com detalhe sobre a noite. Até já e não percam a "conversa sobre processos" na Ler Devagar dia 28 às 21h30m(ultima sessão das 100 horas de conversa para esta temporada) # Terça-feira, Junho 21, 2005 ( 2:05 PM ) CEM Bom dia! embora não fosse um espaço experimental não posso deixar de comentar a mostra da zona z que decorreu nos passados dias 16 e 17 no Goethe institut! As 4 Zs deste ano organizaram uma mostra com um nível profissional e o feedback de quem viu foi excelente quanto á forma como cada uma delas estava presente no seu trabalho. Ficam os parabéns e a vontade de seguir o trabalho da Marina, da Rita, da Cinira e da Mariana ....lets start again and again sofia # Quarta-feira, Maio 25, 2005 ( 6:51 PM ) CEM 19 Maio 2005 Espaço Experimental da Zona Z, no Incrivel Club Mariana Lemos ![]() ![]() Marina Quay ![]() ![]() Cinira Macedo ![]() ![]()
Terça-feira, Maio 24, 2005 ( 3:29 PM ) CEM bom dia!!!!!!!Como levei muito tempo até me sentar aqui para contar novas histórias do espaço experimental resolvi saltar um espaço que foi aqui no cem e passar diectamente ao feedback do esaço experimental da Zona Z no espaço do incrível clube em almada dia 19 de maio...até porque as apresentações do tal espaço experimental anterior forma da marina e da Cinira da Zona Z e penso que a noite do incrível foi mais um salto para elas...A primeira apresentação da noite foi da Mariana Lemos. Quando entrávamos já lá estava a Mariana a dormir numa caminha de ferro, costas nuas e corpo embrulhado no veludo vermelho, fiquei por ali um bom bocado enquanto umas pessoas conversavam, outras bebiam um copo, outras ficavam também por ali...Gostei particularmente deste corpo instalado a respirar, senti o movimento da Mariana, naquela quietude, muito mais vasto... pelas 10 da noite a Rita Teodoro indicou-nos um novo lugar para sentar e começou de facto o espaço experimental... Na conversa final a mariana dizia-nos que o encontro com aquele espaço foi muito forte porque parecia já trazer a proposta do trabalho na própria respiração"Ela vive aqui!". Entre movimento e escultura o publico falou de répteis, de rastos, de fluidez e, sobretudo, de uma nova qualidade de movimento que, essa sim, me parece o maior tesouro neste momento! Para a Luz da Câmara a saia de veludo vermelho é já um empecilho...pois é, ainda falta a mariana fazer a relação dessa nova fluidez dançada com o trabalho com aquele objecto...Para o Paulo Condessa a questão é decidir se a saia é um prolongamento do corpo ou não. Veremos na mostra da zona z dias 16 e 17 no Goethe institut!!!!!!!!!!! A seguir à Mariana foi a vez da Marina Quay "dançar"...e não é que dançou mesmo????! A Rita Teodoro na conversa final mostrou-se mesmo surpreendida por ver a Marina só (só?) com o corpo. Sem materiais, sem recursos para além do momento, da relação com o público, e de um plano secreto:lutas invisíveis, pic nics à sombra, tiroteios na Baixa. O Paulo Condessa comentou que a encontrava agora num sítio com muita verdade, que dantes a sentia patinar mas que desta vez tinha mesmo entendido a necessidade de comunicação com o público de que a Marina fala desde o início do seu pecurso na zona z! Para além do gap que ainda se sente no uso da voz (ainda existe um gap entre os sons orgânicos mais abstractos e a palavra inteligível) e algum desprendimento em relação ao figurino achei mesmo que a Marina encontrou o seu lugar de pesquisa para os tempos mais próximos!!fiquei feliz. "tu hoje arrepiaste-me!" foi o comentário da Joana Veiga á última apresentação da noite. A Cinira Macedo estava uns anos mais crescida nessa noite, penteada pela Ainhoa Vidal trouxe-nos um momento intenso. Para o Afonso que dirige o espaço do Incrível Clube o solo era a Ofélia antes do suicídio. Para a Luz da camara foi um momento fortíssimo, para todos nós que temos vindo a acompanhar o desenvolvimento do solo desde o ovo foi bom testemunhar o início de um ser absurdo e grotesco entre a vida e a morte, falta confiança ainda mas foi maravilhoso para a Cinira ter sentido que até nos momentos em que, armadilhada nas suas tramas, se sentiu perdida, se encontrou também acompanhada por si própria connosco! Até já, na quinta feira proxima dia 26 não percam ás 22h as "100 horas de conversa" com o Rogério mais o seu FINAL CUT aqui no cem # Quinta-feira, Maio 05, 2005 ( 4:52 PM ) CEM bom dia a todos!!!!afinal hoje não há o espaço experimental por causa dos filmes na gulbenkian com a ivone rainer, combinamos ir todos ver e passamos o espaço experimental para dia 12 de maio, até já sofia # Terça-feira, Maio 03, 2005 ( 2:02 PM ) CEM Bom, cá estou eu outra vez para ver se é desta que consigo terminar o relatório do último espaço experimental agora que ó próximo é já na 5ª feira que vem...também pode ser que assim em episódios tenha mais interesse!!! A penúltima apresentação da noite foi da Cinira Macedo que também está a terminar o trabalho para apresentar na mostra da ZONA Z. Curiosamente numa conversa há pouco a Cinira reflectia qualquer coisa como "as espectativas que pus no feedback ao espaço experimental não me deixaram ouvir sem sentir que o que dizia era deturpado" é engraçada a urgencia que a forma como se comunica um trabalho e a capacidade de escuta real ao momento real têm assumido nestes últimos meses!!! O que se propôs foi reunir o material e tentar encontrar uma lógica dentro do trabalho que tem estado a desenvolver. Na conversa final a Rita Teodoro e a Ainhoa Vidal disseram que achavam que no início funcionou bem mas que depois começou uma correria que foi perdendo a definição...a atenção aos detalhes também está a precisar de cuidado: o vestido, os limites do plástico que ela usa no início...são elementos que nesta fase final já começam a distrair o foco de quem vê. Para mim è necessário neste momento dar um espaço à respiração dos momentos, é preciso distinguir entre imagens revisitadas e sensações dançadas. Para o público presente a utilização do ovo foi alvo de polémica, entre fragilidade, densidade, desconcerto...Para uns o trabalho era chocante para outros, para outros sufocante, para outros... enfim está ali material para avançar falta clareza e capacidade de discussão. Os loops de som utilizados têm uma exressão interessante que pode evoluir ainda. Por fim dançou a Mariana Lemos o seu trabalho para a mostra da ZONA Z. Foi curioso o feedback da Laura Bañuelos: trazias um rasto de estrela. De facto ela instalou uma imagem na penumbra e depois surpreendeu-nos com a rapidez da entrada no espaço. Não trouxe a saia vermelha, veio com a cor no corpo. A Rita T. até comentou que desta vez tinha sentido menos preocupação na imagem para fora e mais confiança em SER a imagem! "apareceu-me uma velocidade, imagens que logo se dissolvem" Alguém dizia na conversa final que o risco daquela saia de veludo vermelho é que pode engolir completamente a Mariana numa ambiência romantica e cerimoniosa. Realmente é uma presença forte e o trabalho tem vindo a crescer muito preso ao "bicho/saia" . O corpo apareceu mais compacto, mais presente. Foi muito arejado poder assistir à dança sem adereço e quero muito acompanhar este processo de desenvolvimento no corpo... a nossa princesa vai crescendo e transformando-se num corpo com volume e cheio de perguntas! até amanhã. Sofia # Quinta-feira, Abril 28, 2005 ( 2:54 PM ) CEM Bom dia, ainda cá estou para mais uma das apresentações do espaço experimental de 21 de abril: Depois da Ainhoa e da Marina segui-se o trabalho da Silvia Pinto Coelho. Era uma personagem sózinha com a construção do seu próprio trabalho, entre o narcisismo e o individualismo, entre o espaço público e o privado, fazendo do público voyeur do processo de um bailarino elaborando um solo. Para já ficou-me neste espaço experimental a figura frente a um espelho, achei o trabalho em fase muito embrionária quanto à relação da Silvia com as suas escolhas, está claro o material proposto mas não a forma como a Silvia se move com... no ensaio do dia seguinte que tive oportunidade de assistir revelaram-se então 3 planos de investimento entre o orgânico e fora de controle, o estritamento espartilhado em formas complexas, e a reflexão/crítica sobre cada momento. A Laura Bañuelos feedbackou na conversa final que sentiu a atenção muito fora do corpo e muito na imagem o que é curioso porque a Silvia trabalha muito com a câmara e de facto eu que estava a filmar nesse dia notei muita diferença entre a percepção directa do corpo da Silvia ou a representação que aparecia no visor... Acompanhemos a evolução !!!!!!!!! ATÉ JÁ sOFIA # Terça-feira, Abril 26, 2005 ( 6:47 PM ) CEM pois cá estou outra vez, estava há pouco a falar do trabalho da Ainhoa Vidal e da possibilidade de poder ser apresentado mais próximo do público. De facto desta vez a distância que a Ainhoa escolheu foi mais por razões técnicas, a maquillage não estava ainda terminada e a percepção da imagem necessitava que o receptor não se perdesse com detalhes que causam ruído... Era muito especial a presença branca atravessada pela luz (aliás é muito especial o trabalho que a Ainhoa tem vindo a desenvolver com muito rigor e com uma intensidade na pesquisa que é maravilhoso de seguir!) É curioso que o surgimento de movimentações mais ligeiras ou "playful"pareciam absurdas no desenvolvimento desta figura/tempo mas de facto elas apareceram como histórias do corpo que tiveram muita pertinência durante este processo. Ficou claro na conversa final que essa dança das memórias não cabia na "personagem" grávida. O som resultante da postura vertical era brilhante, o chocalhar das peças do figurino parecia vir do brilho da luz. Esperemos pelo desenvolvimento!!!!!!!! A segunda apresentação da noite foi da Marina Quay (zona z) que está na fase final de processo de criação para o trabalho a apresentar no âmbito da Mostra da Zona Z dias 16 e17 de Junho no Goethe Institut . Foi uma apresentação muito forte e é excelente ver que o trabalho está mesmo a crescer... Assim que começou a discussão do seu trabalho a Marina perguntou:"que ligação vêem vocês entre a primeira e a segunda parte do que apresentei?"De facto vendo o trabalho assim retalhado o feedback geral foi que a zona de exploração com o enorme papel cenário era muito mais coesa e a sua respiração de performer muito mais madura. A Ainhoa feedbackou que na primeira parte se sentia um arrastar de acções que estavam como que coladas e pertenciam ao passado, a outras fases do processo e que não havia uma reciclagem dessas acções e do seu lugar...alguém do público comentou que era um trabalho claro que se posiciona sempre num lugar ambíguo entre o corpo humano e um corpo bicho. Uma outra pessoa falava da transformação do papel em pessoa ou qualquer coisa assim...O Jack shamblin acrescentou:"quando apanhas o papel é muito forte, mudas a tua pele" A meu ver o trabalho tem todos os ingredientes que precisa e se por um lado me encanta o encadeamento estranho que a Marina dá aos materiais que pesquisou ficaria feliz se assitisse uma vez a uma apresentação dela sem reconhecer a todo o momento as estratégias de controlo que ela desenha para si própria. De qualquer forma é um solo que tem caminhado uma longa estrada de dúvidas e incertezas e que neste momento tem a unidade de um trabalho muito pessoal com uma linguagem muito própria que...enfim..sempre foi o propósito deste percurso sinuoso da zona z. Vou para outra freguesia e voltarei amanhã com mais feedbacks fresquinhos, até já sofia # ( 12:34 PM ) CEM bom dia!!!O Espaço Experimental de 21 de abril foi muito intenso!!!!!!!!!! 5 apresentações já aconteceram várias vezes em noites anteriores mas desta vez foi demasiado complexo porque todos os trabalhos estavam em fase de finalização...não era bem um início de processo...digamos...tornou-se complicado para o público na conversa final dar um feedback específico e pertinente com tanta informação de uma vez mas cá vai o que eu recolhi...se calhar tenho que escrever sobre uma pessoa em cada dia! A primeira apresentação foi a Ainhoa Vidal. Trata-se da preparação para o trabalho que ela vai apresentar na Box Nova do CCB em Julho. Para mim era uma experiência física do Tempo. Uma figura madura atravesada pela luz que "escondia" na barriga. "sempre pensei que era uma figura muito antiga"dizia a ainhoa"mesmo pré-histórica, que traz em seus genes toda a história, o corpo tem essas histórias, o que trago comigo é o tempo, é uma figura que fala da criação, que traz em si a gravidez de tudo" por isso ainhoa tentou revisitar histórias que estivessem no seu corpo. Também me interessa o que acontece na presença antes de entrar em cena. O jack shamblin dizia na convesa final"se estivesses mais perto de nós talvez fosse mais clara essa zona antropológica" pois agora tenho que vos deixar e continuamos a convesa daki a pouco, até já, sofia # | |