c.e.m

Festival Pedras

O Festival Pedras decorre essencialmente das práticas regulares com pessoas e lugares e desdobra-se anualmente em dois momentos, O Festival Pedras experiencial e imersivo e o Festival Pedras-Comunicação da Documentação.

>>>> Vídeos do festival Pedras

– O Festival Pedras-experiencial e imersivo é um acontecimento que o c.e.m programa anualmente no início de julho, desde 2006, trazendo a uma comunidade alargada a experiência da cidade através do mergulho condensado das práticas presentes durante a temporada e do convite a profissionais de diversas áreas que se debruçam sobre Corpo-Arte-Cidade para a partilha de exercícios experimentados por eles nesse âmbito. O F. Pedras é sempre também uma oportunidade para discutir e repensar a cidade de hoje e testar aberturas de possibilidades. Constatamos, ao longo da experiência do Pedras-Práticas com pessoas e Lugares, que muitas das acções decorrentes do questionamento das formas de criar cidade pelo mundo fora partem de uma redução da experiência do entre-corpos que não considera um universo onde as relações sejam possíveis. A maioria das vezes embatemos com a impossibilidade de existir para lá das constrições impostas pelo capitalismo/neo-liberalismo vigente, vendo-nos aprisionados na impotência, no medo e na incapacidade de gerar caminhos alternativos que nos permitam uma clareza de pensar-agir em relação a problemas vivenciados como, a nível global, a gentrificação, a mercadorização ou a turistificação, e a nível da qualidade de vida dos cidadãos, os despejos, a estigmatização,  a pobreza, a desumanidade, a cisão humano/natureza…Cada F. P. propõe uma com-vivência em diversos contextos, sempre de entrada livre e em espaços “públicos”, com conversas/debates, encontros festivos como pic-nics ou bailes, intervenções artísticas ou caminhadas e poisios como as rotas e os manuais de estar que, sendo praticados ao longo de toda a temporada, trazem neste contexto uma outra dimensão no impacto e visibilidade. Cada zona do programa é acessada por quem esteja interessado numa actividade específica ou por quem, habitante/comerciante/atravessante, se depara com ela no seu quotidiano. A experiência do F. P. é sempre exercitada por um conjunto de pessoas que se dispõem a estarcom ao longo de todo o programa, incluindo os artistas/investigadores que apresentam comunicações em cada temporada, resultando em que cada umaum acompanha e suporta todas as outras acções. Cada prática é realizada com, como disse Bragança de Miranda “a conivência dos habitantes”: a criação de muitas das situações apresentadas no Festival é co-gerada por cada umaum presente no processo de elaboração que chega a demorar mais de 6 meses com encontros diários.

– O Festival Pedras-Comunicação da Documentação consiste numa segunda intervenção do Festival em que a documentação referente à temporada da actividade Pedras-Práticas com Pessoas e Lugares bem como a documentação criada a partir da vivência do Festival Pedras experiencial e imersivo, ambas recolhidas e trabalhadas, são trazidas à comunicação através da organização de um encontro para lançamento da publicação e dos documentários vídeo/áudio anuais.

Quanto à documentação em escrita: Desde 2012 cada temporada temos um blog aberto a quem percorre as Práticas com Pessoas e Lugares com cerca de 20 participantes de várias partes do mundo.

Últimos blogs do Pedras:

Desde 2012 agrupamos, revisamos, editamos e publicamos o conjunto de textos produzidos e imprimimos em vários suportes imagens recolhidas ao longo do trabalho. As publicações dos textos apareceram desde 2012 sob a forma de livros e está agora a investir numa forma artesanal, com caixas que agrupam escritos e imagens, manufacturadas uma a uma, criando 50 destes objectos e mantendo a disponibilidade de fazer mais consoante pedido específico.

Anualmente é elaborado e apresentado um documentário áudio-visual que traz à partilha a especificidade de cada temporada bem como diversos documentos que abordam particularidades do caminho.

Particularidades do Pedras:

  • O c.e.m “mora” no coração de Lisboa e a sua imersão no tecido urbano onde se insere é total. Desde a Baixa percorremos a pé demoradamente, cada temporada, toda a área circundante que constitui hoje a Junta de freguesia de Santa Maria Maior e parte das áreas integrantes das Juntas de Freguesia de Arroios e da Misericórdia. Em toda esta zona que vai da Mouraria ao Mercado da Ribeira ou à Calçada de Santana o relacionamento com pessoas e lugares é próximo e continuado. Nunca partimos da vontade de trabalhar com grupos específicos ou instituições, a relação começa sempre no encontro um-a-um e na constatação de que não se é Corpo sozinho. Ao longo dos anos fomos acompanhando pessoas que moram isoladas ou mergulhando na Creche ou no Centro de Dia locais e qualquer uma destas presenças continua a ser bem vinda na “casa” do c.e.m, sendo que todas as práticas são de entrada livre para quem vamos estando-com nesses outros contextos. Não temos práticas “fechadas”, nem mesmo a reuniões das equipas. Muitas das actividades acontecem na rua “conversando” com o quotidiano da cidade. A necessidade de recolhimento ou de expansão de cada prática está presente na atmosfera que se cria e não na regulação público/privado. Algumas são pagas e outras são de entrada gratuita e todas anunciadas mensalmente e reforçadas individualmente pelas redes sociais, através da distribuição de postais ou por boca-a-boca. A qualidade de estar-com e a abertura e acolhimento a qualquer pessoa independentemente da sua “aptidão” física ou intelectual, do seu “estracto” social do seu género, idade ou que mais possa nos distinguir enquanto humanos é permanente e perpassa qualquer pessoa que integra as equipas do c.e.m em qualquer lugar. Aquilo que aprendemos com a experiência em Lisboa nutre o que vamos praticando em qualquer cidade ou espaço.
  • Cada temporada faz o chão da temporada seguinte. A experiência de percorrer o plano de actividades cada ano permite-nos ir apurando o que vai aparecendo no “entre” e a elasticidade do c.e.m potencia o seu constante ajustamento. O desdobramento é comum já que cada habitante e atravessador do c.e.m toma para si (em escalas diversas, claramente) a responsabilidade do “jardineiro” que acompanha a nutrição de cada área já existente, escuta a pertinência de desenvolvimento ou “emagrecimento” de zonas específicas e “planta” suas próprias acções. Assim o centro doc., por ex, pode ver-se infiltrado por encontros em torno de filmes organizados por estudantes ou o conhecimento de alguém que passe nesse momento em Portugal e que abre um interesse mútuo em estar junto, produzir encontros não calendarizados previamente.
  • Não trabalhamos com elites mas com o “Qualquer”, aquele que seja quem for não é indiferente (como escreveu Agamben em “A comunidade que vem”).